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Geral “Impossível não se indignar”, diz Janja sobre aliado de Trump que chamou brasileiras de “raça maldita”

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Janja lembrou que Zampolli é acusado pela ex-mulher de violência doméstica e abuso sexual e psicológico. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A primeira-dama Janja da Silva fez uma publicação em rede social dizendo ser “impossível não se indignar” diante de falas de Paolo Zampolli, aliado do presidente americano Donald Trump e enviado especial para assuntos globais do governo americano. Em entrevista à RAI, emissora italiana de rádio, Zampolli afirmou que “mulheres brasileiras são programadas para causar confusão” e que são uma “raça maldita”.

Zampolli foi casado por quase 20 anos com uma brasileira, Amanda Ungaro, e os dois têm um filho de 15 anos cuja guarda está sendo disputada nos tribunais americanos.

Janja lembrou que Zampolli é acusado pela ex-mulher de violência doméstica e abuso sexual e psicológico.

“As mulheres brasileiras, com muita força e coragem, rompem, diariamente, ciclos de violência e de silenciamento”, disse a primeira-dama na postagem. “Não somos programadas para nada. Somos pessoas com voz, com sonhos e lutamos diariamente para viver com dignidade e liberdade para sermos quem quisermos”.

O Ministério das Mulheres também se manifestou sobre o tema. Em nota, o órgão repudiou as afirmações do assessor americano, “que reforçam um discurso de ódio e desvalorizam as mulheres do país, em afronta à dignidade e ao respeito”.

“A misoginia não constitui opinião. Trata-se de manifestação de ódio, aversão e incitação à violência, configurando prática criminosa. Nesse sentido, o Ministério ressalta que o ódio contra meninas e mulheres não pode ser relativizado sob o argumento da liberdade de expressão”, diz o texto.

Zampolli foi acusado, em uma reportagem do jornal “The New York Times”, de ter influenciado politicamente na deportação de Amanda para o Brasil, depois de ter sido detida por suposta fraude no local de trabalho.

Segundo o jornal, Zampolli teria ligado em junho de 2025 para o então alto funcionário do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), David Venturella, após a prisão de sua ex-esposa, em Miami.

Zampolli soube da prisão e sugeriu a autoridades que sua ex-mulher estava irregular no país, questionando a possibilidade de transferi-la para uma detenção do ICE, segundo registros obtidos pelo jornal e uma fonte a par do assunto.

De acordo com o NYT, Venturella acionou o escritório do ICE em Miami, destacando que o caso interessava a alguém próximo da Casa Branca, para garantir que agentes do órgão buscariam Ungaro na prisão antes que ela fosse libertada sob fiança. Ela foi colocada sob custódia do ICE e depois deportada.

Atualmente no Brasil, Ungaro disse ao NYT acreditar que a influência de Zampolli foi determinante na sua deportação e relatou que ele teria prometido casamento e estabilidade migratória durante o relacionamento.

O Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE, afirmou em comunicado que Ungaro foi detida e deportada porque seu visto estava vencido e ela havia sido acusada de fraude.

“Qualquer sugestão de que ela foi presa e removida por motivos políticos ou favores é FALSA”, afirmou o órgão em comunicado.

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