Terça-feira, 16 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2026
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, realizou exames no fim da manhã dessa quinta-feira (23) no hospital DF Star, em Brasília (DF), após passar mal na superintendência da Polícia Federal (PF) nos últimos dias. O ex-banqueiro chegou até a unidade de saúde por volta de 12h50 e deixou o local às 14h15. Ele foi levado por agentes da Polícia Penal Federal.
A ida de Vorcaro ao hospital foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), na quarta (22). O magistrado é o relator do caso Master na corte e, por isso, a medida dependia de seu aval.
O dono do Master está preso na superintendência da PF desde 19 de março, quando foi transferido do Presídio Federal de Brasília para a unidade para discutir os termos de sua delação premiada.
Vorcaro passou mal na segunda (20) e recebeu a visita de um médico na prisão. O ex-banqueiro chegou a urinar sangue no final de semana.
Quando estava na penitenciária de segurança máxima, Vorcaro ficou três dias trancado em uma cela e 13 dias sem tomar banho de sol após ser levado para uma unidade de isolamento, onde todos os que entram no sistema ficam por até 20 dias.
O portal de notícias UOL revelou também que, por três noites, ele dormiu com a luz da cela acesa. O presídio alegou que isso era necessário para vigiá-lo por 24 horas, evitando que ele tentasse tirar a própria vida.
Negociações para delação
Em março, o banqueiro deu início às negociações para o acordo. O primeiro passo foi a assinatura de um termo de confidencialidade com a PGR (Procuradoria-Geral da República) para uma eventual colaboração. A tendência é de que a delação seja efetivada em maio.
Caso Vorcaro decida por esse caminho, ele terá de oferecer informações efetivas e verificáveis, capazes de contribuir concretamente para o avanço das investigações — não basta apresentar relatos genéricos.
As investigações em torno do Master envolvem suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis conexões com autoridades públicas.
Riscos à investigação
Ao decretar a prisão, o ministro André Mendonça apontou o banqueiro como líder de uma organização criminosa e afirmou que a prisão preventiva era necessária para garantir a ordem pública e econômica, preservar a instrução criminal e assegurar a futura aplicação da lei penal.
Segundo o magistrado, as investigações sobre o Master indicam que o empresário tentou atrapalhar o trabalho de apuração da PF após sair da cadeia à época da primeira prisão dele, em novembro de 2025.
Entre os elementos citados na decisão está a suspeita de ocultação de mais de R$ 2,2 bilhões em contas ligadas ao pai do investigado para fraudar credores, enquanto o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) teria sido acionado para cobrir um rombo estimado em quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.
A decisão também menciona indícios de que Vorcaro teria comandado um núcleo de intimidação e coerção, usado para monitorar, ameaçar e agredir desafetos, além de suspeitas de tentativa de corrupção de servidores do Banco Central em troca de informações privilegiadas e favorecimento em fiscalizações. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e do portal de notícias R7.
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