Quarta-feira, 08 de Julho de 2020

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Brasil Incerteza política deve adiar os leilões de ferrovias para 2019, dizem especialistas

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Há poucas oportunidades de investimento em ferrovias em outros países. (Foto: Banco de Dados)

O governo federal pretende fazer neste ano pelo menos dois leilões de ferrovias: o da Norte-Sul, entre Tocantins e São Paulo; e o da Ferrogrão, entre Mato Grosso e Pará. Apesar das demonstrações de interesse do mercado nos dois trechos, com ênfase para a Norte-Sul, analistas acreditam que o plano do governo deverá ser adiado devido às eleições.

Fernando Marcondes, sócio da L.O. Baptista-SVMFA, escritório de advocacia especializado em consultoria jurídica na área empresarial e de infraestrutura, acredita que os leilões têm grandes chances de serem bem-sucedidos, mas só devem ocorrer após a definição eleitoral.

Ele destacou que os investimentos envolvidos em projetos de ferrovias são muito altos, o que dificulta o comprometimento dos investidores em um ambiente de incertezas gerado pelas eleições. “A noção geral é que 2018 será um ano complicado para a infraestrutura justamente por causa da eleição. Não temos nem um quadro claro com relação aos candidatos.”

O diretor-executivo da CNT (Confederação Nacional do Transporte), Bruno Batista, também avalia que os leilões de ferrovias só devem ocorrer em 2019 por causa do momento de incerteza política. Segundo ele, porém, as expectativas de as concessões avançarem são positivas porque há poucas oportunidades de investimento em ferrovias em outros países.

“O Brasil é um dos poucos países que têm grandes projetos para serem concedidos. No resto do mundo não há muito mais o que expandir. A Europa já está toda integrada, e a China investiu muito nos últimos 15 anos”, declarou.

Prioridade

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, responsável pelo PPI (Programa de Parceria de Investimentos), afirmou, em dezembro de 2017, que as ferrovias serão a prioridade do governo na área de transporte em 2018. “Precisamos nos dedicar obcecadamente à questão ferroviária. O Brasil não pode continuar com a extensão ferroviária que tem. O dano para o agronegócio é altíssimo.”

Além da Norte-Sul e da Ferrogrão, o governo também planeja a concessão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste. No caso desta, porém, os estudos ainda não foram concluídos, e o governo ainda não abriu consulta pública.

Ex-presidente da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e consultor da RZD, empresa ferroviária da Rússia, Bernardo Figueiredo avalia que há muito interesse do mercado na Norte-Sul. Segundo ele, por ser um projeto mais maduro, com a ferrovia já construída, há grandes expectativas de que o leilão seja feito já em 2018.

“A Ferrogrão é um pouco mais complicada. É um projeto com investimento muito alto, com risco muito grande”, disse. Ao contrário da Norte-Sul, a Ferrogrão terá que ser totalmente construída pelo investidor.

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