Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2021

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Saúde Infarto em crianças é raro, afirmam especialistas

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Mesmo sendo raro em crianças, é importante que os sintomas de um infarto não sejam subestimados. (Foto: Reprodução)

Um menino de 11 anos sofreu um infarto e morreu na cidade de Luís Correia, no litoral do Piauí, na última segunda-feira. Arthur Valentim sofreu um ataque fulminante em um sítio da família, enquanto brincava com primos. Cardiologistas afirmam que este tipo de evento é extremamente raro em crianças. Isso porque os fatores de risco mais comuns para este tipo de problema cardíaco nos adultos – como tabagismo, colesterol em excesso, hipertensão e diabetes – não conseguem comprometer a função cardíaca a tempo de causar um infarto ainda na infância.

De acordo com Bruno Bandeira, médico coordenador de Comunicação da Socerj e coordenador do setor de cardiologia do Hospital Caxias D’Or, o infarto em crianças pode estar associado a uma anomalia congênita das artérias que irrigam o coração; à hipercolesterolemia familiar (uma doença genética que faz com que o organismo produza muito colesterol, sem ter uma relação direta com os hábitos de vida e alimentação da criança), que pode causar o entupimento das artérias; à miocardiopatia hipertrófica (condição genética que causa o crescimento anormal do músculo do coração); e à trombofilia, doença que causa uma hipercoagulação do sangue, provocando grandes coágulos que podem entupir as artérias que irrigam o coração.

“Era um menino muito ativo. Estava com sobrepeso e a gente estava tentando diminuir, mas ele não tinha problemas de saúde, fazia muita atividade física”, afirma Carlitus Machado, avô do menino Arthur.

Na visão de Bandeira, dificilmente a obesidade pode causar um infarto na infância. “Não dá para atribuir o sobrepeso como causa do infarto, porque o acúmulo de gordura nas artérias se dá ao longo da vida. Estar com sobrepeso na infância não é um fator de risco para o infarto na infância, mas sim na vida adulta”, complementa o cardiologista.

Mesmo sendo raro em crianças, é importante que os sintomas de um infarto não sejam subestimados. Os sinais mais comuns são dor ou pressão sobre o peito; dor ou desconforto nos braços, costas, estômago, mandíbula ou pescoço; sensação de falta de ar; tontura; sudorese; e náusea.

Histórico na família é fator de risco

Como as principais causas do enfarte na infância estão ligados a problemas genéticos, hereditários ou congênitos, é importante que os pais fiquem atentos se estes tipos de doenças já se manifestaram em outras pessoas da família.

“Quando existe história na família de doenças cardíacas precoces, os pais devem começar uma investigação, especialmente se algum parente morreu antes dos 40 anos”, orienta Miguel Morita, cardiologista da Quanta Diagnóstico por Imagem e professor de Cardiologia da Universidade Federal do Paraná.

Desmaios enquanto pratica alguma atividade física e dificuldade de acompanhar o ritmo dos colegas ao brincar podem ser sinais de problemas cardíacos. “É preciso sempre relatar tudo ao pediatra, que poderá pedir exames como o eletrocardiograma”, diz a cardiologista Margarete Henriques.

Dicas para se proteger

Pesquise o histórico familiar para doenças cardíacas. Se houver casos de parentes que tenham morrido precocemente por conta de um problema no coração, os pais devem prestar ainda mais atenção na saúde do filho.

Os pais devem ficar de olho em situações como desmaios, falta de ar e cansaço desproporcional durante a realização de uma atividade física por seu filho. Mesmo que estes eventos tenham acontecido apenas uma vez, eles já podem indicar que há algum problema.

Apresente todo o histórico do seu filho e os sintomas que a criança esteja apresentam ao pediatra. Este profissional é o mais indicado para fazer uma primeira avaliação e indicar o pequeno a um cardiopediatra caso seja necessário.

Fique atento aos sintomas de enfartes, pois mesmo que seja raro em crianças, eles podem acontecer. Não subestime uma dor que seu filho se queixe de sentir. Leve-o sempre ao médico mais próximo, pois quanto antes ele receber atendimento, maiores são as chances de sobrevivência.

É na infância que começamos hábitos que serão levados por toda a vida. Ofereça a seu filho um estilo de vida mais saudável, pois isso diminuirá o risco de enfarte na vida adulta.

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