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Tecnologia Inteligência artificial superará a inteligência humana em 5 anos, e dinheiro perderá sentido, diz Elon Musk

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Musk prevê que, dentro de cinco anos, os sistemas de inteligência artificial poderão superar a soma de toda a inteligência humana. (Foto: Reprodução)

Elon Musk, segundo ele próprio, é uma Cassandra dos tempos modernos —melhor que a maioria em prever o futuro, mas condenado a não ser acreditado. “As pessoas não percebem que o que estou dizendo vai se concretizar”, diz o bilionário à revista The Economist em uma entrevista de 90 minutos realizada em uma gigantesca fábrica da Tesla no Texas (EUA), onde carros elétricos saem sozinhos da linha de montagem.

Isso talvez se deva ao fato de que suas previsões vão do inquietante ao bizarro. Musk prevê que, dentro de cinco anos, os sistemas de inteligência artificial poderão superar a soma de toda a inteligência humana. Em dez anos, robôs no ambiente de trabalho ajudarão a inaugurar uma era de “abundância tão incrível” que o dinheiro perderá o sentido. E em 20 anos, o Reino Unido —um país que ele não visita há anos— estará mergulhado em uma guerra civil.

Acredite nelas ou não, as previsões de Musk, que recentemente se tornou brevemente o primeiro trilionário do mundo, merecem ser levadas a sério. A força motriz por trás da Tesla e da SpaceX, fabricante de foguetes transformada em conglomerado de IA, está fazendo mais do que qualquer outro empreendedor para moldar o futuro.

Sua influência —impulsionada por dinheiro e feitos de genialidade em engenharia— se estende da Casa Branca a pontos de tensão global como a Ucrânia. Com 240 milhões de seguidores no X, sua plataforma de mídia social, as opiniões de Musk, especialmente as mais controversas, têm repercussões significativas.

Usando botas pretas e uma jaqueta de couro com o logo do Grok, seu chatbot, nas costas, ele demonstrou lampejos da determinação que o ajudou a ser pioneiro na produção em massa de veículos elétricos e a enviar foguetes reutilizáveis ao espaço contra todas as probabilidades. Ele também mostrou o quanto está empenhado em moldar sua própria realidade, a ponto de ser intransigente em assuntos fora de sua área de especialização.

O principal tema da conversa foi IA. Segundo ele, é uma tecnologia que pode levá-lo “da euforia ao terror” em um único dia. Por ora, sua “conclusão filosófica” é “ver o lado positivo”.

É uma escolha que convenientemente serve aos seus próprios interesses. Musk acredita que sistemas de IA e robôs eventualmente realizarão a maioria dos trabalhos digitais e físicos, tornando o trabalho humano “opcional”. Para esse fim, a xAI (agora chamada SpaceXAI) está desenvolvendo sistemas para executar tarefas cognitivas como programação de software, enquanto a Tesla fabrica humanoides. Musk planeja alimentar todo esse aparato de IA com data centers no espaço.

Sem empregos, ele sugere que pode ser necessária uma redistribuição de riqueza em larga escala para criar uma “renda alta universal” para os humanos. Mas embora o homem mais rico do mundo diga que não tem problema em pagar “trilhões em impostos”, ele também argumenta que o dinheiro será irrelevante daqui a uma década. Assim, defende que os governos simplesmente “emitam cheques para as pessoas”, porque em meio a uma oferta infinita de bens e serviços produzidos por máquinas, a deflação será um problema maior que a inflação.

Musk reconhece que há riscos iminentes decorrentes de sistemas de IA cada vez mais poderosos. Observando que as capacidades dos modelos de fronteira estão melhorando rapidamente, ele elabora sobre uma proposta recente de Demis Hassabis, cofundador do Google DeepMind, para que o governo dos EUA crie um órgão de autorregulação através do qual a indústria testaria seus próprios modelos em busca de eventuais falhas.

O dono da SpaceX argumenta que o esforço deveria ser estendido à China, e que os principais laboratórios de IA, incluindo os chineses, deveriam ter uma ou duas semanas para inspecionar os modelos mais recentes uns dos outros antes do lançamento, sinalizando quaisquer riscos aos governos em Washington e Pequim. “Os concorrentes podem manter uns aos outros honestos.”

Ele vai ao ponto de sugerir que, para manter os modelos seguros, estaria disposto a fazer as pazes com Sam Altman, chefe da OpenAI, com quem travou uma batalha judicial —e foi derrotado— remontando aos dias em que cofundaram o laboratório de IA juntos. “No fim das contas, se tivermos que conversar, vamos conversar”, afirma, acrescentando que ambos podem precisar “deixar de lado nossas diferenças pessoais pelo bem do mundo”.

Musk parece muito menos preocupado com a ascensão dos laboratórios chineses do que outros chefes de IA, como Dario Amodei, da Anthropic. Ele está impressionado com lançamentos como o Kimi K3, revelado este mês pela Moonshot AI, e acredita que há uma “boa chance” de que empresas chinesas de IA se tornem “as líderes em algum momento”, apontando para o fornecimento de eletricidade do país, que supera vastamente o EUA, e sua capacidade de produzir robôs em massa. Ele acha, inclusive, os vídeos de robôs chineses arrancando as cabeças uns dos outros “bem engraçados”. As informações são da revista The Economist.

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