Quinta-feira, 07 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de setembro de 2017
Investigadores se perguntam ao final por que razão Joesley Batista entregou à PGR áudios que podem comprometer seu acordo de delação. Joesley já se mostrou muito esperto para cometer erro tão crasso. Ele tem ótimos advogados, conseguiu todos os benefícios: não foi preso; não teve o passaporte apreendido; não usou tornozeleira, não pode ser processado e, ainda, ganhou milhões após confessar crimes. A decisão de Janot de pedir a revisão do acordo com base nesses áudios também intrigou os que enxergam no movimento brusco uma vacina.
Na entrevista, Janot disse que os áudios foram dados por Joesley de “livre e espontânea” vontade. São quatro horas de conversas que trariam “graves indícios” envolvendo a Procuradoria e o STF.
A J&F nega que os áudios comprometam Joesley Batista. “O diálogo em questão é composto de “meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático”, diz.
Mas um trecho da nota chama a atenção. A J&F diz ter ouvido vários profissionais antes de decidir pela delação. A reportagem apurou que a lista inclui Marcelo Miller, ex-braço direito de Janot que se associou a escritório que advogou para Joesley.
O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato, foi o primeiro a saber que Rodrigo Janot iria pedir a revisão do acordo de delação da JBS. Janot o avisou pouco antes de fazer seu pronunciamento.
No Planalto, a avaliação é que, ao pôr a delação da JBS sob risco, o próprio Rodrigo Janot praticamente sepultou a segunda denúncia que deve apresentar contra o presidente Michel Temer.
A leitura é que as fragilidades na delação de Joesley Batista contaminam as informações do delator Lúcio Funaro, que darão sustentação à nova denúncia.
Michel Temer foi avisado às 6h40 da manhã (horário na China) sobre a fala de Janot. Pediu calma e serenidade até que a íntegra dos áudios seja revelada. Combinou também se reunir com Antonio Mariz, seu advogado, para discutir o caso.
A delação de Ricardo Saud, da JBS, não prosperou quanto ao escritório Erick Pereira Advogados. A banca foi excluída pela PGR da lista de investigados no inquérito que apura caixa 2 de Robinson e Fábio Faria, governador potiguar e deputado.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, disse nesta terça-feira (5), em Paris, que as possíveis “referências indevidas” a membros da Corte nos novos áudios gravado pelo empresário Joesley Batista e pelo lobista Ricardo Saud, citadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fazem parte de uma “guerra psicológica”.
“Temos que esperar. Isso tem que ser revelado. Essa guerra psicológica não adianta nada. O importante é que se esclareça e que se tire isso tudo a limpo”, afirmou o magistrado, na saída de um encontro com autoridades francesas em Paris, onde está em visita oficial.
Em relação à possibilidade de as investigações da Lava Jato sofrerem algum tipo de revés por causa dos novos áudios, o ministro disse que é preciso “aguardar” o conteúdo da gravação e lembrou que a Polícia Federal já tinha feito “observações muito críticas em relação à pressa com que a Procuradoria conduziu todo o episódio”.
“Eu tenho a impressão que todos sabiam que era uma delação extremamente problemática desde o começo, Agora, está se vendo o preço que se cobra por isso”, disse Mendes.
O magistrado disse não se surpreender com a citação do nome do ex-procurador Marcelo Miller, que foi braço-direito de Janot na Procuradoria-Geral da República, no novo áudio. (AE/Folhapress)