Quarta-feira, 05 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 21 de dezembro de 2015
Os efeitos da perda do selo de bom pagador pelo Brasil por duas agências de classificação de risco devem se prolongar ao longo dos anos. Rebaixado para a categoria de grau especulativo, o País vê como mais difícil uma recuperação da credibilidade no mercado internacional.
A sequência da perda do grau de investimento pelas agências Standard & Poor’s e Fitch afeta a economia brasileira em diversas frentes. A decisão traz uma piora nas expectativas com o aumento do risco de a terceira agência, a Moody’s, também tirar o selo de bom pagador do Brasil; o fluxo dos investimentos no País tende a diminuir; e a vida das empresas ficará mais difícil.
“O crescimento brasileiro já seria mais baixo, mas o rebaixamento do País é mais uma restrição para a economia sair do buraco”, afirma o sócio da consultoria MB Associados e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros. O rebaixamento da nota brasileira promovido pelas agências de risco apenas chancelou o mau humor da economia mundial com o País.
Desde julho, por exemplo, as empresas brasileiras e instituições financeiras não fizeram nenhuma emissão no exterior. Os dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais mostram que as captações no exterior somaram apenas 8,059 bilhões de dólares entre janeiro e novembro. No mesmo período do ano passado, foram 45,485 bilhões de dólares captados pelas companhias.
“Se as empresas e o governo brasileiro desejam fazer alguma captação externa, elas têm de saber que o seu nível de risco considerado é de um país junk [lixo]”, esclarece o economista da Tendências Consultoria Integrada, Silvio Campos Neto.
(Luiz Guilherme Gerbelli/AE)
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