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Educação Jovens indígenas criam rede para fortalecer comunicação na região Sul

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Mais de 20 jovens Guarani, Kaingang e Laklãnõ-Xokleng participaram do 1º Encontro de Jovens Comunicadoras(res) Indígenas da Arpinsul, na aldeia Pirá Rupa (SC).

Foto: Daniela Huberty/Comin

Momento histórico para o movimento indígena da região Sul do país. Foi essa a definição dada para o 1º Encontro de Jovens Comunicadoras(res) Indígenas da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (Arpinsul), que reuniu mais de 20 jovens na Aldeia Pirá Rupá, em Palhoça (SC).

Durante cinco dias, jovens indígenas dos povos Avá-Guarani, Guarani Mbya, Guarani Nhandeva, Kaingang e Laklãnõ-Xokleng participaram de um processo de imersão e formação continuada e de intercâmbio de saberes tradicionais e técnicos. Com o tema “A comunicação indígena que temos e a comunicação indígena que queremos ter”, o encontro foi finalizado com a criação de uma rede de comunicadoras e comunicadores indígenas da Arpinsul.

“A realização do evento foi um momento importante e necessário para a comunicação indígena no âmbito da região Sul, pois foi a primeira vez que algo do tipo foi realizado. E o surgimento da rede, além de histórico, será uma ferramenta de empoderamento das jovens e dos jovens parentes”, afirma o coordenador de comunicação da Arpinsul, Yago Kaingang.

Yago ressalta ainda que a construção da rede é uma forma de contribuir para o fortalecimento da organização indígena: “Através do nosso próprio protagonismo, levaremos nossas narrativas a todo o Brasil e além. Da aldeia para o mundo!”.

Com a rede, a juventude poderá atuar diretamente em seus territórios e em suas organizações de base e ecoar suas vozes também para fora desses espaços, narrando suas próprias histórias e lutas. “A criação dessa rede tem justamente como objetivo levar essas demandas e outras questões das pautas indígenas e fortalecer nossas lideranças da região Sul que, por muito tempo, foram invisibilizadas a nível nacional”, reitera Laércio Karai, do povo Guarani Mbya.

Atividades de formação

O encontro iniciou suas atividades com um momento de apresentação de todas e todos e de acolhida do cacique da aldeia Pirá Rupá, Karai Jekupe, e do coordenador da Arpinsul, Marciano Rodrigues, que exaltaram a importante articulação da juventude indígena. Durante o evento, as jovens e os jovens indígenas participaram de diferentes oficinas e rodas de conversa, todas mediadas por pessoas indígenas que já atuam com comunicação em seus territórios ou coletivos.

Com as assessorias de Ingrid Sateré Mawé e Cris Tupan, a juventude participou das oficinas “Criação de conteúdo e gestão de redes sociais” e “Fotografia e uso de tecnologias”, respectivamente. Ingrid falou sobre a importância de aprender e usar as plataformas digitais e como elas funcionam, além das possibilidades e desafios de conexão com as redes sociais e a construção de uma comunidade digital. Já Cris tratou sobre os olhares e narrativas a partir da fotografia e, em um momento prático, os jovens tiraram diversas fotografias buscando diferentes luzes, pontos de vistas e perspectivas.

Na oficina “Introdução à transmissão em redes sociais”, com a assessoria de Yago Kaingang, foram apresentados os tipos de transmissão, equipamentos, recursos básicos e os programas usados para transmitir. Também a fim de praticar o que havia sido aprendido, todas e todos fizeram suas próprias transmissões em grupo.

Comunicação como ferramenta de luta

Além da formação técnica em comunicação, a juventude indígena debateu sobre temáticas relevantes da comunicação e da causa indígena. A roda de conversa “Comunicação e Política”, com mediação de Marciano, discutiu o papel da comunicação nas lutas do movimento indígena diante da atual conjuntura de ataque aos povos, e a importância de ressignificar a comunicação pela resistência e coletividade. Com a mediação de Cris Tupan, as jovens e os jovens trataram sobre “Comunicação para diversidades e pelas lutas sociais” e conheceram uma vasta literatura sobre o movimento indígena.

“Foi um momento em que nós, jovens, sentamos e falamos sobre nossas crenças, tradição e também sobre as dificuldades que encontramos em nosso território tradicional. O encontro nos proporcionou várias dinâmicas das quais podemos levar para nossa vida e luta diária […], e espero que esse seja o primeiro de muitos que virão, para que todos saibam que o sul também é território indígena”, afirma Jaciara Priprá, do povo Laklãnõ-Xokleng.

Organizações e coletivos articulados

Participaram do encontro jovens convidadas e convidados da Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA) e dos coletivos Ga Jāre – Mulheres Indígenas Kaingang/Guarani do estado do Paraná, Juventude Laklãnõ Xokleng e Mídia Nativa On.

Também estiveram presentes a coordenadora da CGY, Juliana Kerexu, e uma das coordenadoras executivas da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Eunice Kerexu, além das assessorias do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (Comin) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organizações apoiadoras do evento.

Fotos: Daniela Huberty/Comin

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