Quinta-feira, 13 de Maio de 2021

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Economia Kalunga, Tok & Stok e mais 16 empresas adiam abertura de capital em meio à crise da pandemia

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O descontrole da pandemia de covid-19 e as constantes crises políticas em Brasília ampliaram o grupo de empresas que adiaram a abertura de capital na Bolsa brasileira. (Foto: Rovena Rosa/Arquivo Agência Brasil)

O descontrole da pandemia de covid-19 e as constantes crises políticas em Brasília ampliaram o grupo de empresas que adiaram a abertura de capital na Bolsa brasileira. Desde o início do ano, 18 empresas cancelaram oficialmente suas captações, incluindo a Kalunga e a Tok & Stok. Esse “estoque” de desistências representa um volume de R$ 15 bilhões que deixará de ser movimentado. No entanto, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a tendência é que o total de cancelamentos cresça em meio ao desânimo com a economia nacional em tempos de recordes de mortes por coronavírus.

Uma das candidatas que cancelaram sua oferta, sob a alegação de condições desfavoráveis do mercado, foi a Agrogalaxy, empresa de varejo de insumos agrícolas, que chegou a lançar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) que poderia movimentar R$ 1,4 bilhão. Ela foi obrigada a suspender a operação por não encontrar demanda entre os investidores, deixando claro um mercado muito mais seletivo.

O total de empresas na fila para fazer uma oferta nos próximos meses, com pedido para registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ainda é grande, com mais de 40 companhias, incluindo o Grupo Avenida, o aplicativo Getninjas e a Caixa Seguridade, subsidiária de seguros da Caixa Econômica Federal que planeja encarar a maior volatilidade do mercado e aversão às estatais.

Uma fonte de um banco de investimento frisa que o mercado não está fechado para as ofertas, mas os investidores estão mais seletivos e pedindo mais desconto em relação aos preços das companhias. “As empresas mais sensíveis ao preço estão adiando a oferta”, comenta a fonte, que falou em condição de anonimato. “A janela está aberta, mas a demanda está mais magra”, diz uma outra fonte.

A maior aversão ao risco ocorre após uma primeira janela do ano para emissões de grande movimento, com um volume movimentado de mais de R$ 30 bilhões na Bolsa brasileira, considerando não somente os IPOs, mas também as ofertas subsequentes (follow-ons) de empresas já listadas. Depois desse “boom”, a previsão inicial era de que as ofertas previstas para os próximos meses pudessem girar mais de R$ 50 bilhões, o que não deverá mais se concretizar.

Uma terceira fonte, também de um banco de investimento, afirma que hoje 80% das ofertas que estão na fila devem esperar outro momento devido à aversão ao risco que cresceu ao longo do mês passado. Com isso, apenas algumas conseguirão ter sucesso na atual conjuntura, que é bem diferente da que se observava em janeiro e fevereiro. A fonte acrescenta que os investidores estrangeiros, que desde o fim do ano passado estavam direcionando um fluxo maior ao Brasil, estão muito mais seletivos neste momento.

A primeira oferta de peso da atual janela será a da Diagnósticos da América (Dasa), dona da rede de diagnóstico Delboni Auriemo, que precifica uma oferta subsequente de cerca de R$ 6 bilhões na próxima semana. Ela dará o tom do apetite do mercado. Uma fonte disse, contudo, que essa oferta já encara um ambiente de maior desafio. Por ora, a Mater Dei é a “queridinha” entre os negócios do setor que estão na fila do IPO.

O setor de saúde, por conta da demanda dos investidores, acabou atraindo muitas empresas em busca de uma captação via bolsa de valores. Além de Dasa e Mater Dei estão na rua com ofertas O Hospital Care Caledônia, a farmacêutica Blau, e da Viveo, da CM Hospitalar, de distribuição de material hospitalar e medicamentos.

O sócio do Rolim, Viotti, Goulart, Cardoso Advogados, Fabio Appendino, afirma que a volatilidade dificulta a definição de preço das ações. “Isso pode afetar a rentabilidade futura dos negócios e sua consequente geração de caixa, base para a determinação da avaliação das companhias e, consequente, do preço das ações lançadas no IPO”, comenta. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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