Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020

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Agro La Niña pode trazer primavera seca para o Rio Grande do Sul

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Irrigação é importante instrumento para manter a produção em períodos de pouca chuva.

Foto: Fernando Dias/Seapdr
Irrigação é importante instrumento para manter a produção em períodos de pouca chuva. (Foto: Fernando Dias/Seapdr)

O La Niña pode provocar anomalias de chuvas e temperaturas do ar, indicando risco de estiagem em todas as regiões do Rio Grande do Sul nesta primavera, com maior intensidade em novembro. É o que aponta o Boletim do Copaaergs (Conselho Permanente de Meteorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul), referente aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2020.

Utilizando o Modelo Regional Climatológico implementado no CPPMet/UFPel (Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas), o boletim prevê uma probabilidade alta de que estas condições de La Niña se iniciem durante a primavera de 2020 e permaneçam até o verão 2020/2021.

A previsão indica para o mês de outubro redução da chuva (anomalia entre fraca e moderada) e aumento da temperatura diurna, o que produz aumento da evapotranspiração, especialmente na segunda quinzena. Para novembro, o modelo aponta para uma redução ainda maior de chuva, com predomínio de noites mais frias e dias mais quentes, padrão característico de períodos muito secos. Em dezembro, são esperados padrões de chuva mais próximos da média, mas com temperaturas acima do normal, o que mantém a evapotranspiração elevada.

O boletim do Copaaergs é elaborado a cada três meses por especialistas em Agrometeorologia de 14 entidades públicas estaduais e federais ligadas à agricultura ou ao clima.

O documento alerta para a necessidade de monitorar os recursos hídricos, mesmo em regiões onde, nos últimos meses, houve chuvas acima da média, e lista orientações.

Culturas de outono-inverno produtoras de grãos (trigo, aveia, cevada)

Monitorar a ocorrência de doenças e pragas e observar se há necessidade de aplicações de defensivos agrícolas. Não descuidar do momento da colheita, colhendo tão logo seja possível.

Os produtores devem providenciar a revisão das colhedoras e acompanhar a previsão do tempo para colheita.

Arroz

Considerando que a disponibilidade de água nos reservatórios não está na capacidade máxima e o prognóstico aponta redução de chuvas no trimestre outubro-novembro-dezembro, dimensionar a área a ser semeada conforme a disponibilidade de água.

Aproveitar as melhores condições de radiação solar e evitar as temperaturas baixas no período reprodutivo da cultura e escalonar a época de semeadura de acordo com o ciclo da cultivar, primeiro as de ciclo longo, seguidos das de ciclo médio e precoce.

Para as semeaduras até meados de outubro, quando a temperatura do solo é baixa, atentar para que a profundidade de semeadura não seja superior a 2 cm.

Culturas de primavera-verão produtoras de grãos (milho, soja, feijão)

Escalonar a época de semeadura e utilizar genótipos de diferentes ciclos ou diferentes grupos de maturação para evitar eventuais perdas em função de deficiência hídrica no período crítico, sempre respeitando o zoneamento agrícola.

Para as culturas de milho e feijão, começar a semeadura quando a temperatura do solo, a 5 cm de profundidade, estiver acima de 16°C e houver umidade adequada do solo.

Para cultura da soja, somente iniciar a semeadura quando houver umidade adequada do solo.

Tratando-se de plantio direto, fazer o manejo de culturas de inverno voltadas para a proteção do solo e manutenção da umidade no solo.

Irrigar sempre que necessário, preferência à irrigação nos períodos críticos da cultura.

Para o cultivo da soja em terras baixas é indispensável a drenagem com atenção quanto ao manejo da irrigação.

Hortaliças

Quando necessário, irrigar, dando preferência ao sistema de gotejamento. Em ambientes protegidos (túneis e estufas), proceder a abertura o mais cedo possível no lado contrário ao vento.

Indica-se a produção de mudas em ambiente protegido no sentido de garantir a qualidade das mesmas.

Fruticultura

Em pomares nos quais houve eventual perda de estruturas de frutificação e frutos em função da ocorrência de geadas, adotar o manejo usual do dossel vegetativo em relação a podas e aplicações de defensivos químicos, a fim de assegurar a produção da safra seguinte.

Preservar a cobertura verde da área para conservação do solo e armazenamento de água no solo.

Recomenda-se a prática do raleio para ajuste da carga de frutos, conforme as orientações técnicas de cada região/cultivar, para garantir o desenvolvimento adequado dos frutos neste período inicial do ciclo.

No estabelecimento de novos pomares, deve ser prevista irrigação para evitar a perda de mudas.

Silvicultura

Adequar o manejo florestal, considerando a possibilidade de precipitação abaixo da média.

Em povoamentos florestais, deve ser evitada a adubação mineral ou orgânica com elevadas concentrações de nitrogênio.

Produção de mudas florestais em céu aberto, se usados fertilizantes, deve-se aumentar a relação potássio/nitrogênio da formulação mais indicada para cada espécie e estádio.

Caso o produtor florestal tenha necessidade de realizar o plantio no trimestre outubro/novembro/dezembro, as mudas florestais devem apresentar um sistema radicular bem formado para garantir maior sobrevivência no campo.

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