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Colunistas Lembranças que ficaram (60): “Entre candilejas te adoré”

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Numa tarde de verão de 1954 eu estava dentro do carcado da criação de “porquinhos da Índia” que eu tinha, distribuindo uma quantidade de “funcho” que regularmente eu colhia ali perto de onde eu morava e limpando a “maternidade” onde as fêmeas davam cria. Este cercado era no fundo do terreno da casa dos meus pais (1.000 m2) que fazia divisa com o pátio da casa do vizinho, quando ouvi uma música cuja melodia achei linda e me chamou atenção e parei para ouvir. Nunca a tinha ouvido.

Quem estava ouvindo num disco na “eletrola” era um rapaz bem mais velho que eu, de nome Sadi. A gente era conhecido. O irmão mais novo dele era meu amigo. Depois do banho, à tarde, fui lá para saber que música era aquela. Ele me mostrou o disco. Era um 78 rotações e o nome da música era “Luzes da Ribalta”. Só orquestrada. Não tinha letra junto. Pedi a acabei ouvindo umas 4 ou 5 vezes seguidas. Adorei. Hoje, passados 73 anos, ainda adoro. Fui atrás de tentar obter a letra se é que tinha. E tinha.

Logo decorei.

Claro que existem outras lindas, encantadoras, românticas e marcantes músicas com letras altamente significativas e interpretadas por nomes mundiais que fizeram e fazem sucesso e história até hoje, desde sempre. Ouvir Plácido Domingo, Mireille Mathieu, Roberto Carlos, André Bocelli, Anna Mouskoury, Celine Dion, o grupo ABBA, ou mesmo Chitãozinho e Xororó, Leonardo ou Zezé de Camargo, é, de forma eclética e sensível, uma delicadeza para os ouvidos absorver uma melodia e/ou uma letra bem pensada e, normalmente, sempre significativa.

Entrando na juventude, estudo, trabalho, vida social, formatura e casamento, sempre focado nos objetivos imediatos e necessários e embora já tivesse viajado bastante e lido muitos livros e visto muitos filmes, não “me liguei mais” em saber mais sobre Luzes da Ribalta, até que, num domingo à tarde, li sobre a vida de Charles Chaplin. Não me lembro o dia, mas Chaplin já havia morrido. Ele faleceu no dia de Natal de 1977.

Lendo sua história fiquei sabendo que até 1942 ele já havia se casado e divorciado por 3 vezes. Considere que ainda na 1ª metade do Século XX casar e descasar não era uma coisa tão rotineira como é hoje. Nascido em 16 de abril de 1889 ficou órfão ainda menino e teve “que se virar”. Aos 12 anos já fazia parte do vaudeville e em 1913 começou a participar de cenas do cinema. 1913… cinema mudo, sem som que foi o que acabou criando nele uma tão rica forma de interpretação por gerstos e alterações fisionômicas. Foi aí então por volta do final de 1942 que conheceu Oona O’Neill… e se apaixonaram. Ele 53 anos, ela 18. Foi um escândalo, faz foi uma singular história de amor que durou até sua morte em 1977. Eles se adoravam. Tiveram 8 filhos: Geraldine, Michael, Josephine, Victória, Eugene, Joice, Annette e Christopher.

Lendo essa história foi que vi pela 1ª vez a letra original que ele escreveu, em espanhol, da mais linda, melodiosa, carinhosa, romântica e verdadeira letra de amor que jamais vi na minha vida, que me apaixonou e não consigo ainda ver nenhuma tão linda e sincera como esta, embora – como disse no início do artigo – muitas letras e músicas lindas existem, mas esta é minha nº UM. Mesmo sem ouvir a melodia, veja a letra, lembrando que tinha 53 e ela 18:

“ Tu llegaste a mi (53) quando me voy…

“ Eres luz de abril (primavera lá) yo, tarde gris” (entardecer da vida)

“ Eres juventud, amor, calor, fulgor de sol

“Trajiste a mi tu juventud (18), cuando me voy(53)

“Entre candilejas te adoré”

“Entre candilejas yo te amé”

“La felicidade que diste a mi vivie se fue

“No volverá nunca jamás, lo sé muy bien.

Esta letra cantada na voz de Roberto Carlos é alguma coisa espiritual.

Quando Chaplin voltou aos EE.UU. e ganhou um “Oscar” pelo conjunto da obra ele foi aplaudido e ovacionado em pé por 12 minutos ininterruptos Isto nunca aconteceu.
A letra em português tem seu valor e sua mensagem, mas nada que se compare a letra que Charles Chaplin criou para seu amor. Repousam juntos lado a lado na mesma tumba em Corsier-sur-Vivey, na Suíça.

* Luiz Carlos Sanfelice – lcsanfelice@gmail.com

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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