Terça-feira, 14 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 22 de junho de 2016
Um tribunal turco ordenou a libertação de uma mulher que matou seu marido depois de ter sofrido durante anos com a violência conjugal, tornando-se um símbolo do combate contra os abusos às mulheres na Turquia.
Cilem Karabulut, 24 anos, foi considerada culpada no início de junho pela morte de seu marido, Hassan Karabulut, 33, no ano passado em Adana (sul). Ela foi condenada a 15 anos de prisão.
Militantes feministas exigiam sua libertação, argumentando que Cilem havia sofrido sistematicamente abusos de seu marido, que a obrigava se prostituir. Essa situação é vivida por muitas mulheres na Turquia.
Um tribunal de apelação ordenou sua libertação condicional na segunda-feira (20), depois de pagar uma fiança de 50.000 liras turcas (cerca de 17,2 mil dólares ou 58,4 mil reais).
“Seguiremos adiante com nossa luta. Brigaremos por todas as nossas mulheres”, declarou Cilem, que é mãe de uma menina de 2 anos e meio, depois de sair da prisão onde passou quase um ano.
Este caso ganhou espaço na cobertura da mídia na Turquia pela atitude desafiadora da acusada, que no momento de sua prisão vestia uma camiseta com os dizeres, em inglês: “Querido passado, obrigada por todas as lições. Querido futuro, estou pronta”.
Essa ação se tornou emblemática em um momento em que há cada vez mais críticas contra a violência que as mulheres sofrem na Turquia, onde centenas delas morrem a cada ano por apanharem de seus maridos.
De acordo com uma plataforma que defende as vítimas da violência de gênero, 291 mulheres foram assassinadas na Turquia no ano passado e 113 ao longo deste ano.
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