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Mundo Líderes mundiais expressam “choque” com o assassinato do presidente do Haiti e defendem ações para estabilidade no país

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Presidente manteve apoio entre os homens. (Foto: Lawrence Jackson/The White House)

O assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moïse, na madrugada desta quarta-feira (7) foi recebido com choque e preocupação ao redor do mundo, diante do cenário de crise social e política no país caribenho.

Representante da potência mais influente no Haiti, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ofereceu condolências aos haitianos e se colocou à disposição para trabalhar por um país mais seguro. O presidente declarou ainda que a situação é “muito preocupante” e que são necessárias mais informações sobre a morte de Moïse. O país também pediu que o governo interino avance com as eleições marcadas para o final deste ano, que “podem apresentar um caminho a seguir”.

“Ficamos chocados e entristecidos ao ouvir do horrível assassinato do presidente Jovenel Moïse e o ataque contra a primeira-dama Martine Moïse do Haiti. Condenamos este ato horrendo e envio meus votos mais sinceros pela recuperação da primeira-dama”, diz o texto divulgado pela Casa Branca.

Mais cedo, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, chamou o episódio de um “crime horrível”, e indicou que o crime pegou o governo americano de surpresa.

Considerados o “coração da política haitiana” por analistas e lar de mais de um milhão de imigrantes vindos do país caribenho — e que compunham um poderoso lobby de oposição a Moïse em Washington — os EUA são vistos como cruciais na resolução da atual crise política e social no país, que ocuparam militarmente entre 1915 e 1943.

Por meio do Itamaraty, o governo do Brasil, que entre 2004 e 2017 chefiou a missão de intervenção da ONU no Haiti, divulgou uma nota na tarde desta quarta transmitindo “sentidos pêsames” à família do presidente e conclamando os haitianos “ao diálogo e ao entendimento com vistas a criar as condições para a superação da atual crise, no marco da Constituição ora vigente naquele país”.

Antiga potência colonial no Haiti, onde uma revolta de escravos levou à independência em 1804, a França chamou o incidente de “assassinato covarde” e pediu calma aos haitianos. “Toda luz precisa ser posta sobre este crime que ocorreu em meio a um clima de deterioração política e de segurança. Peço que todos atores da vida política haitiana mantenham a calma e restrinjam suas ações”, declarou o primeiro-ministro, Jean-Yves Le Drian, em comunicado.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, através de seu porta-voz, pediu calma e defendeu que os responsáveis sejam punidos.

Após o fim da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), em 2019, a ONU reduziu sua presença no país, e hoje só mantém uma representação de apoio político, responsável por “assessorar” e “apoiar” as autoridades para fortalecer a estabilidade e a governabilidade.

Fronteiras fechadas

Na América Latina, a reação mais imediata e contundente veio da República Dominicana, país que divide com o Haiti a Ilha de São Domingos: todas as fronteiras terrestres foram fechadas, e o presidente, Luis Abinador, convocou uma reunião de urgência dos comandos militares para analisar a situação. Cerca de meio milhão de haitianos vivem na República Dominicana, em uma relação marcada por relatos de violência e discriminação.

Já a Colômbia defendeu o envio urgente de uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) ao Haiti para, nas palavras do presidente Iván Duque, “proteger a ordem democrática”.

“Nós rechaçamos o vil assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moïse. É um ato covarde e cheio de barbárie contra todo povo haitiano. Nossa solidariedade com a nação irmã e a família de um grande amigo da Colômbia”, escreveu Duque, no Twitter.

A chancelaria da Argentina, em declaração nas redes sociais, rejeitou o uso de violência no contexto político.

“A Argentina espera que a paz e a tranquilidade possam ser retomadas no país e pede o respeito às instituições democráticas. O governo pede que os autores do crime possam ser rapidamente identificados para que possam ser responsabilizados por suas ações”, diz o texto.

Mais europeus

Ainda na Europa, o premier britânico, Boris Johnson, chamou o incidente de “ato odioso”. “Estou chocado e entristecido com a morte do presidente Moïse. Nossas condolências estão com sua família e o povo do Haiti. Esse é um ato abominável e eu faço um pedido de calma neste momento”, escreveu no Twitter.

O premier espanhol, Pedro Sánchez, pediu, no Twitter, a “união de todas as forças políticas para encontrar um caminho para sair da séria crise vivida pelo país”, além de condenar “vigorosamente” o assassinato e expressou “condolências à família e solidariedade ao povo haitiano”.

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