Segunda-feira, 25 de Maio de 2020

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Política “Limparam até as minhas gavetas”, disse o ministro da Saúde ao anunciar a sua permanência no cargo

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Ministro teve a demissão avaliada por Bolsonaro, mas acabou mantido no cargo após pressão. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Após voltar de reunião no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse nesta segunda-feira (6) que ficará no cargo, após as especulações de que seria demitido pelo presidente Jair Bolsonaro.

“Nós vamos continuar, porque continuamos, vamos continuar enfrentando o nosso inimigo, que tem nome e sobrenome, o Covid-19”, disse, em entrevista coletiva no ministério. “Temos uma sociedade para lutar e proteger, médico não abandona paciente e não vou abandonar.”

O ministro afirmou que a semana de trabalho começou com mais um “solavanco” e que espera “ter paz pra poder conduzir”.

“Hoje foi um dia que rendeu muito pouco o trabalho do ministério”, brincou. “Teve gente limpando gaveta, pegando as coisas. Até as minhas gavetas.”

A declaração ocorreu horas após vir a tona a informação de que Bolsonaro avaliava demitir o ministro. Mandetta não citou em nenhum momento o nome do presidente.

Ao chegar, o ministro recebeu aplausos e agradeceu a equipe, que o esperava para ouvir sua fala. Durante a entrevista, esteve ao lado de cinco secretários da pasta.

“Não é hora de aplaudir ninguém, não terminou nada”, respondeu. “É o que já falei: lavoro, lavoro, lavoro”, citando a palavra trabalho em italiano.

Mandetta afirmou que a reunião no Palácio do Planalto foi produtiva para aumentar a união entre diferentes partes do governo. Novamente sem citar o presidente, ele pediu um bom ambiente para trabalhar.

“A única coisa que pedimos é que tenhamos o melhor ambiente para trabalhar aqui no Ministério da Saúde. Entendo que a reunião foi muito produtiva, foi muito boa. Acho que o governo se reposiciona, no sentido de ter mais união, de ter mais foco, de todos unidos em direção a esse problema.”

Em um recado ao governo, Mandetta disse ainda que a pasta está aberta a sugestões e críticas, mas que há dificuldades quando elas “não vêm para construir”.

“Não preciso traduzir, vocês todos sabem que tem sido uma constante o ministério adotar uma determinada linha e termos muitas vezes que voltar e fazer contrapontos para podermos reorganizar. A equipe fica numa situação de angústia”, disse.

Mandetta afirmou que a equipe deverá continuar a trabalhar “até quando formos nominados, ou até quando o presidente entender. Estamos aqui para ajudar. Mesmo que venha outra equipe, estamos aqui para ajudar”.

Na noite desta segunda, Bolsonaro fez uma provocação ao infectologista David Uip, encarregado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de chefiar o centro de contingência contra coronavírus no Estado.

Uip voltou ao trabalho nesta segunda, após se recuperar da Covid-19, e, questionado pelo apresentador José Luiz Datena, da Band, evitou responder se havia feito uso da hidroxicloroquina. “O médico David Uip tomou, ou não, HIDROXICLOROQUINA para se curar?”, escreveu Bolsonaro em rede social.

Integrantes do chamado núcleo moderado do governo, que inclui militares, conversaram nesta segunda desde cedo com Bolsonaro na tentativa de demovê-lo da ideia de exonerar Mandetta no curto prazo. Em conversas reservadas, o presidente chegou a dizer que a situação estava insustentável.

Num primeiro momento, a pressão fez efeito. Ministros de fora do Planalto estavam apreensivos com a reunião ministerial convocada por Bolsonaro para o final da tarde desta segunda, com receio de que ele anunciasse a saída do titular da Saúde.

O encontro teve um clima tenso, segundo relatos, mas o presidente não deu sinais de uma exoneração próxima.

Na reunião, Bolsonaro e Mandetta expuseram divergências sobre o uso da cloroquina em casos de coronavírus.

O presidente disse que havia conversado com especialistas que defendiam o uso do remédio em estágio inicial da doença e cobrou um protocolo sobre a substância durante a pandemia.

Bolsonaro citou um estudo da operadora Prevent Senior e do Hospital Albert Einstein que envolve o uso do medicamento, também usado contra malária, em pacientes com a Covid-19.

O ministro da Saúde, por sua vez, disse que a pesquisa citada ainda não havia sido publicada e defendeu que não há ainda protocolos seguros sobre o uso do remédio.

Bolsonaro não refutou e ouviu de ministros apelos para que a equipe mantenha a união.

A reunião serviu, dizem ministros, para Bolsonaro reforçar sua autoridade. O presidente disse que está sob ataque de adversários, reclamou de governadores e da imprensa, e por isso quer seus ministros atuando unidos.

Bolsonaro frisou, porém, que será dele a palavra final sobre as medidas de combate ao coronavírus.

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