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Comportamento Livro foca em como educar filhos antes que os algoritmos façam isso

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Um provérbio africano repetido à exaustão em roda de educadores diz que para educar uma criança é preciso uma “aldeia inteira”. (Foto: Reprodução)

Um provérbio africano repetido à exaustão em roda de educadores diz que para educar uma criança é preciso uma “aldeia inteira”. Em tempos de internet, a aldeia tem sido ofuscada pela força dos algoritmos das grandes plataformas, que expõem crianças e adolescentes a conteúdos muitas vezes inadequados, com design feito para viciar, e moldam sua percepção do mundo.

A complexa realidade de educar filhos na era da informação é o foco do novo livro da jornalista especializada em educação, repórter especial e colunista do Estadão Renata Cafardo: O Algoritmo das Famílias – Como o Mundo Digital Desafia a Parentalidade. A obra chega às livrarias físicas e digitais no dia 19 de agosto, mas já poderá ser adquirida na pré-venda da Editora Contexto. O lançamento oficial ocorre no dia 24 na Livraria da Vila, em Pinheiros.

“Educamos crianças e adolescentes enquanto os algoritmos estão tentando educá-los também. A gente não está educando sozinho”, afirma a autora. “Antes, a gente educava talvez com influência de amigos, de familiares, da comunidade, mas hoje tem essa influência maluca desses algoritmos que te levam para caminhos obscuros, que tentam influenciar, que disputam essa formação das crianças.”

A proposta é subverter essa lógica e buscar um “algoritmo das famílias” onde pais e filhos consigam estabelecer uma dinâmica saudável de convivência com o ambiente digital, que não fique a reboque das plataformas.

A ideia de escrever o livro surgiu de uma inquietação da autora, mãe de Estela, de 10 anos, e Antônio, de 14, mas também de seu papel como jornalista e pesquisadora. “O ambiente digital é o maior desafio da parentalidade hoje. As pessoas começam a pensar que não sabem mais ser pais e mães, porque não têm referência. Normalmente, a gente pergunta algumas coisas para nossos pais e avós, só que hoje não tem ninguém que possa nos ajudar”, reflete.

Ao longo de 192 páginas, a jornalista percorre referências nacionais e internacionais para abordar temas centrais que vão desde o design viciante das plataformas até problemáticas sociais geradas pelas telas na sociedade atual, como padrões tóxicos de masculinidade. “Tem reflexões que ainda não foram nem feitas pelos pais e, muitas vezes, eles são julgados. A gente tem muita bibliografia internacional e foi nela que pesquisei, mas tem poucos livros que falam da nossa realidade”, afirma Renata.

O livro reúne relatos de famílias, entrevistas e análises. A autora explica que a ideia não é fornecer um guia sobre como regular o comportamento dos filhos nas redes, mas possibilitar aos pais que tenham um canal aberto para discutir sobre a questão em suas casas de maneira informada. “Como entender o que é, de verdade, proteger hoje em dia? Entender que não é só segurar, é estimular autonomia em alguns sentidos, mas também observar e estar supervisionando essa vida digital. É uma linha tênue entre proteger demais e proteger de menos que os pais precisam tentar encontrar”, diz. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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