Quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 26 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os chefes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), anunciaram acordo para avançar em projetos de lei de interesse do governo, às vésperas das eleições.
A proposta que terá andamento mais rápido será a medida provisória (MP) que trata do fim da chamada “taxa das blusinhas”, que será votada na próxima semana, segundo Alcolumbre.
Os textos do fim da escala 6×1 e a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança serão analisados na Comissão e Constituição e Justiça (CCJ) também na semana que vem, embora não haja garantia de votação no plenário.
Antes de os três posarem para a foto juntos, Lula deu o tom da nova fase do relacionamento, que passou por momentos de turbulência nos últimos anos.
“Poderia dizer juntos para sempre”, disse o petista.
Segundo o presidente do Senado, a comissão mista que trata do fim da taxa das blusinhas será instalada na terça-feira e, depois, o tema será votado. Governistas alertavam para o risco de a MP caducar, já que ela perde a validade no próximo dia 8 e não havia acordo para a sua tramitação.
“Ela (a MP) precisa será deliberada na comissão no plenário da Câmara e do Senado. Eu faço o compromisso com o senhor e com o Brasil e brasileiros que precisam dessa matéria em vigência, que na semana que vem, no tempo curto de esforço concentrado, no meio do processo eleitoral, vamos deliberar para o senhor sancionar essa lei”, disse Alcolumbre, ao lado de Lula e do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). “Essa MP não vai caducar.”
Motta disse que a presidência da comissão será indicada pela Câmara e relatoria pelo Senado. Inicialmente, a previsão era que a instalação do colegiado tivesse ocorrido no começo do mês, mas não houve acordo justamente na escolha de quem ocuparia cada um desses postos-chave.
Adversários políticos de Lula falavam, nos bastidores, em deixar a medida perder a validade para impor uma derrota ao petista às vésperas do primeiro turno das eleições. A taxa das blusinhas é um tema que dividiu o governo e que depois foi revertida diante da avaliação que ela gerava prejuízos eleitorais a Lula.
“A finalidade é aproveitarmos a janela do esforço concentrado da próxima semana para votarmos no plenário da Câmara e em seguida no Senado”, disse Motta.
O chefe do Executivo marcou o encontro para debater projetos que são prioritários para o governo e que ele pretende explorar na campanha à reeleição: a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1; a PEC da Segurança Pública; a Medida Provisória (MP) que acabou com a taxa das blusinhas e precisa ser votada para não perder validade; e o projeto de lei sobre minerais críticos.
O presidente busca uma maior aproximação com os parlamentares para garantir a aprovação das propostas de interesse do Palácio do Planalto às vésperas das eleições. Pelo cronograma determinado pelo comando do Congresso, a próxima semana será a última com sessões de votação antes do primeiro turno, o que justifica o empenho da articulação política do petista para correr com a aprovação dessas propostas.
Lula decidiu acabar com a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, mas a mudança foi feita por medida provisória e ainda depende da aprovação de deputados e senadores. O texto perde a validade em 8 de setembro. Se isso acontecer sem uma votação, a cobrança volta a valer.
A próxima semana será a última prevista para votações no Congresso antes do primeiro turno, o que aumenta a pressão do Planalto para fechar acordos antes que deputados e senadores se concentrem de vez nas campanhas em seus estados.
Lula e Alcolumbre ficaram afastados mais de três meses, sem dialogar, após o Senado rejeitar em, abril a indicação de Jorge Messias para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal. As duas autoridades retomaram o contato no começo de agosto, tendo como pano de fundo a votação dessa agenda de interesse de Lula no Congresso, apoios eleitorais no estado e a nível nacional e também a disputa pela recondução de Alcolumbre na presidência do Senado, em 2027. Neste mês, participou de agenda com o presidente no Amapá, seu reduto eleitoral, após a Petrobras anunciar que tinha encontrado petróleo na Foz do Amazonas, posou para fotos com o petista e o agradeceu em discurso.
Motta, por sua vez, aproveitou o vácuo deixado pela falta de contato entre Lula e Alcolumbre e se aproximou do petista, depois de uma relação marcada por altos e baixos. O interesse de Motta é, além de ter apoio do PT e do governo à sua recondução na chefia da Câmara, conseguir eleger o pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), a uma vaga ao Senado neste ano. (Com informações do jornal O Globo)
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