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Colunistas Lutzenberger e a sétima arte

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(Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

José Lutzenberger, ou simplesmente Lutz, como era chamado por amigos e admiradores, nunca buscou os holofotes. Sua vida foi marcada por uma missão: despertar consciências para a urgência da sustentabilidade e para a ética da convivência com a Terra. Estudioso da Teoria de Gaia, formulada por James Lovelock, ele defendia a ideia de que o planeta é um organismo vivo, interdependente, em que cada parte cumpre uma função vital. Para Lutz, a ecologia não era apenas ciência, mas filosofia e ética. Seu desejo, ao final da vida, era simples e simbólico: retornar à terra. E assim foi sepultado, sem ostentação, com um jardim plantado sobre sua sepultura, reafirmando em morte o que pregou em vida — a integração do ser humano ao ciclo natural.

Mas se Lutzenberger não queria holofotes, a sétima arte tem um compromisso com seu legado. O cinema, como arte que emociona, educa e cria cultura, pode ser o veículo capaz de manter viva sua missão. Um filme sobre Lutz não seria apenas uma homenagem ou uma imortalização em telas; seria uma ponte entre gerações. Ao narrar sua trajetória, suas viagens, suas correspondências em várias línguas — fruto de seu talento poliglota — e suas batalhas contra a degradação ambiental, o cinema pode inspirar jovens a compreender que sustentabilidade não é moda, mas condição de sobrevivência.

Lutzenberger foi um homem de ciência, mas também de filosofia e poesia. Em suas cartas e palestras, comunicava-se com o mundo usando a ciência como plataforma, mas guiado pela ética e pela filosofia como bússolas. Essa combinação o aproximou de figuras como Chico Mendes, mártir da Amazônia, e Ailton Krenak, que trouxe a voz dos povos indígenas para o debate ambiental. Internacionalmente, dialogou com pensadores como Fritjof Capra, autor de O Ponto de Mutação, e Vandana Shiva, ativista indiana que defende a biodiversidade e a agricultura sustentável. Essas conexões mostram que Lutz não estava isolado: fazia parte de uma rede global de resistência e esperança.

O cinema, ao contar sua história, pode transmitir não apenas fatos, mas emoções. Pode mostrar o impacto de sua decisão de abandonar a carreira corporativa na BASF e retornar a Porto Alegre, onde encontrou o Guaíba poluído e uma cidade em crescimento desordenado. Pode revelar sua indignação transformada em ação, ao fundar a AGAPAN e liderar campanhas que salvaram árvores, rios e consciências. Mais do que registrar, o cinema pode provocar. Ao assistir a um filme sobre Lutz, o espectador não apenas conhecerá um personagem histórico, mas será convidado a refletir sobre seu próprio papel na preservação da vida.

A sétima arte tem esse poder: emocionar, criar cultura e despertar consciência. Um filme sobre Lutzenberger seria, portanto, mais do que uma biografia. Seria um manifesto audiovisual, capaz de inspirar novas gerações a assumir o compromisso da sustentabilidade. Seria uma forma de mostrar que o legado de Lutz não está enterrado sob um jardim, mas floresce em cada ação que busca harmonizar o humano com a Terra.

Em tempos de crise climática e de urgência ambiental, revisitar a vida de Lutzenberger pela lente do cinema é mais do que homenagem: é necessidade. Ele não queria holofotes, mas sua missão exige luz. E se a sétima arte é capaz de emocionar e transformar, então que ilumine o caminho deixado por Lutz, para que o planeta continue vivo e para que a humanidade aprenda, finalmente, a ser parte da Gaia que nos sustenta.

Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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