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Geral Maior emissora de TV da Alemanha vê o presidente Lula como um “parceiro problemático”

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Imagem mostra a chegada a encontro restrito entre Lula e o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A imprensa alemã destacou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Berlim como uma oportunidade de reativar as relações entre Brasil e Alemanha, mas lembrou que as divergências entre os dois países em temas como a guerra na Ucrânia e o conflito em Gaza podem ameaçar essa tentativa de reaproximação.

A ZDF, a maior emissora da Alemanha, chamou Lula de “parceiro problemático”.

“O farol de esperança Lula, há muito venerado como uma estrela por muitos esquerdistas europeus, tornou-se há muito tempo num parceiro problemático”, escreveu Frank Buchwald, correspondente sênior de política do canal de TV.

“A sua posição pouco clara na guerra da Ucrânia, a sua hesitação ambígua após o ataque terrorista do Hamas islâmico: tudo isto confunde os europeus — e especialmente os alemães”, acrescentou.

Buchwald lembra que a relação entre Brasil e Alemanha e, mais amplamente, entre Mercosul e União Europeia, tem sido caracterizada pela “falta de entendimento”.

“Se tivessem melhor memória, a surpresa deste lado do Atlântico talvez não fosse tão grande, porque a relação entre a União Europeia e o espaço econômico sul-americano Mercosul, entre o Brasil e a Alemanha, tem sido caracterizada há décadas pela incompreensão e desilusão no Sul, bem como por erros de julgamento, arrogância e paternalismo no Norte”, assinalou.

“Durante muito tempo, os europeus foram considerados ‘parceiros dos sonhos’ por ministérios das Relações Exteriores da América do Sul: as jovens democracias do Chile, Argentina, Uruguai e especialmente do Brasil admiravam sociedades abertas, economias de mercado e estabilidade política”, completou.

Mas, segundo Buchwald, o “clima mudou — também politicamente”, escreveu, prevendo “conversas difíceis” entre Lula e o chanceler alemão, Olaf Scholz.

Na mesma toada, o jornal Frankfurter Allgemeiner Zeitung, um dos mais influentes do país, questiona se a Alemanha pode confiar em Lula.

“Quão confiável é Lula? O Lula que, após o ataque de Putin à Ucrânia, culpou ambos os lados pela eclosão da guerra; que, nos seus comentários sobre a guerra em Gaza, não descreve o Hamas como uma organização terrorista e fala de genocídio por parte do Exército israelense; e que está ao lado dos regimes autoritários no grupo Brics e também na América Latina”, escreveu Tjerk Brühwiller, correspondente do jornal para a América Latina baseado em São Paulo.

Segundo Brühwiller, Lula “não quer e não irá se alinhar com o Ocidente em muitas questões”.

“Não apenas por razões ideológicas. O Brasil se beneficia dançando em todos os casamentos, algo que Lula domina como nenhum outro. Ele quer ser o porta-voz do Sul Global e um construtor de pontes. Com a presidência do G20, ele tem mais uma plataforma à sua disposição desde o início deste mês”, acrescenta.

Já a emissora Deutsche Welle falou sobre a possibilidade de reconstrução das relações entre Brasil e Alemanha após a visita de Scholz ao Brasil no início deste ano, considerada um “desastre diplomático” ou mesmo um “tapa na cara” pela imprensa alemã.

Na ocasião, Lula recusou qualquer ajuda militar à Ucrânia — um pedido de Scholz.

“Olaf Scholz é considerado alguém que tem um plano para tudo e todos. Se o chanceler tinha um plano há dez meses, quando visitou o recém-coroado presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil, este correu terrivelmente errado”, escreveu Oliver Pieper, repórter de política da emissora que cobre América do Sul.

“Lula, por quem a política alemã ansiava depois dos anos de chumbo do populista de direita Jair Bolsonaro, deixou bem claro que a Alemanha estava agora lidando com um parceiro pelo menos num nível de igualdade. Com uma agenda própria e autoconfiante como porta-voz do sul global e membro dos países Brics que também assumirá a presidência do G20 em 2024.”

“A sua mensagem é clara: nenhuma sanção econômica contra a Rússia e nenhuma entrega de armas à Ucrânia, depois a exigência de uma nova composição do Conselho de Segurança das Nações Unidas com um assento para o Brasil e para o continente africano, bem como um acordo de comércio livre entre o Mercosul e a União Europeia, na qual a UE apoia inicialmente, teria que avançar uma vez”, acrescentou. As informações são da BBC News.

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