Terça-feira, 14 de Julho de 2020

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Mundo Maior facção da Venezuela tem núcleo em solo brasileiro agindo em Roraima

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Pacaraima (RR), cidade na fronteira do Brasil com a Venezuela. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A maior facção criminosa em atividade na Venezuela vem operando no tráfico de drogas, armas e pessoas na fronteira entre a cidade venezuelana de Santa Elena e Pacaraima, no extremo norte de Roraima. As informações são do portal UOL.

A presença na região de células do Pranato – como se autodenomina a organização – foi constatada pela PF (Polícia Federal) e setores de inteligência do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) e da Secretaria de Segurança de Roraima.

Confirmada pelo secretário de Segurança de Roraima, Olivan Júnior, a presença de integrantes do bando em Pacaraima tende a agravar o quadro de insegurança na região.

Segundo dados da PF, entre 2017 e 2018, 176.259 venezuelanos entraram pela fronteira de Pacaraima, mas 90.991 (51,6%) desses saíram do país — 62.314 por via terrestre e outros 28.677 em voos internacionais.

Narcotraficantes brasileiros ligados aos grupos rivais FDN (Família do Norte), PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) disputam o domínio territorial na fronteira, que vem sendo usada como corredor para o tráfico de armas e drogas.

A facção tem como origem as prisões venezuelanas, em especial Tocorón, de onde fugiu o líder Héctor Rustherford Guerrero Flores, 36, após comandar uma rebelião em outubro de 2016. Foragido desde então, El Niño — como é conhecido o chefe da facção — foi condenado por tráfico de drogas, extorsão e assassinatos.

As execuções no maior presídio de Boa Vista, capital de Roraima, localizado a 212 quilômetros de Pacaraima, foram motivadas pela disputa de poder entre as facções brasileiras. Atualmente, cerca de 5% dos presos no estado são do país vizinho. “Quando são levados aos presídios, parte deles se identifica como integrante do Pranato”, diz Olivan Júnior.

Raio-x do Pranato

O Pranato surgiu dentro do sistema carcerário venezuelano. Fora das prisões, os integrantes da organização criminosa estão ligados ao tráfico de drogas, de armas, extorsões, assassinatos e ao esquema de tráfico de pessoas para imigração ilegal.

Há relatos de cobrança de valores para auxiliar na travessia da fronteira brasileira, sobretudo no período em que a barreira de ligação entre os dois países foi fechada, entre os meses de abril e maio passados. A facção cobraria até US$ 1.000 (pouco mais de R$ 4.000) para garantir a entrada de venezuelanos no Brasil. Um relatório do OVP (Observatório Prisional da Venezuela) de 2017 revela problemas nas prisões do país: superlotação, deterioração dos prédios, falha na classificação dos presos, falta de serviços vitais básicos e posse e tráfico de armas e drogas pelos presos.

O documento acrescenta que nesse cenário a organização criminosa Pranato cresceu, espalhando-se pelo sistema prisional, que na época apresentava uma taxa de superlotação de 400%.

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