Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 20 de outubro de 2018
Em 50 dias, mais de 21 mil venezuelanos cruzaram a fronteira do Brasil, em Pacaraima (RR), e 12,3 mil pedidos de refúgio e residência temporária foram registrados em Roraima, apontam dados da PF (Polícia Federal). As informações são do portal de notícias G1.
De acordo com a PF, dos 21,3 mil venezuelanos que registraram entrada no Brasil entre 21 de agosto e 10 de outubro, 11,5 mil (54%) já saíram do território nacional, a maioria fazendo o caminho de volta ao país pela própria fronteira de Pacaraima.
Nesse mesmo período, 12 mil pediram para se regularizar solicitando refúgio ou residência à PF em Roraima. O estado de 576 mil habitantes já tem mais de 30 mil moradores venezuelanos e enfrenta dificuldades com a chegada dos imigrantes.
Ao todo, foram 7,3 mil solicitações de refúgio e 5 mil de residência temporária feitas entre agosto e este mês. Em todo o ano de 2015, quando começou a imigração venezuelana para o estado, foram só 253 pedidos de refúgio. Agora, o acumulado de pedidos de refúgio e residência em três anos chegou a 85 mil.
Entre os 11,5 mil que cruzaram a fronteira brasileira mas já deixaram o país, a maioria fez o caminho de volta à Venezuela, uma rota comum para aqueles que entram no país para comprar, principalmente, comida e remédios, itens em falta no país.
Com esse acréscimo, chegou a 176.259 venezuelanos que cruzaram a fronteira de Pacaraima entre 2017 e este ano. Desses, 17% deixaram o Brasil pela ponte Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu (PR). Guajará-Mirim (RO) e Uruguaiana (RS) registraram a saída de 5% dos venezuelanos cada.
O aeroporto de Guarulhos registrou saída de 58% dos 28.677 que deixaram o Brasil pelo modo aéreo. Os aeroportos internacionais de Manaus, Brasília e Rio de Janeiro registraram 14%, 13% e 12%, respectivamente.
Pelo menos 7 em cada 10 venezuelanos que entrou no Brasil por Pacaraima entre junho e setembro manifestaram interesse de deixar a região de fronteira. O dado integra um relatório da operação Acolhida, que cuida do fluxo migratório.
De acordo com o documento, de 18 de junho a 23 de setembro, 14 mil pessoas cruzaram a fronteira de Pacaraima e 69% respondeu que gostaria de ser interiorizada a outras partes do Brasil. A maioria pediu refúgio (56%), residência temporária (42%) e a minoria solicitou apenas CPF (2%).
O relatório é um raio-X das pessoas que foram acolhidas na fronteira no período e mostra que o ingresso de homens (61%) é maior do que o de mulheres (39%). A maioria é solteira (58%) e tem união estável (27%). Casados representam 14% do total e divorciados 1%.
Entre os 14 mil, 56% têm pelo menos ensino médio completo. As principais experiências de trabalho são vendedor (11%), construção civil (9%), trabalhadores domésticos (6%), cozinheiros (6%), cabeleireiros e eletricistas (3%).
Desde abril, mais de 2,6 mil foram transferidos para 18 cidades em 12 etapas do processo de interiorização – os últimos voos foram na quarta-feira (17).
Em Roraima, 5,2 mil pessoas vivem em abrigos e a presença de venezuelanos no estado causa tensão com a população local. Em 18 de agosto moradores de Pacaraima expulsaram 1,2 mil venezuelanos da cidade.
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