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Economia Mais de 400 cidades brasileiras não têm agência bancária

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O fechamento de agências prejudica o aumento da bancarização, uma das metas do Banco Central. (Foto: EBC)

O Brasil tem 427 cidades que entraram para o grupo das que não têm sequer uma agência bancária desde 2013, quando a cobertura atingiu seu auge. Levantamento feito pelo jornal O Globo com dados do Banco Central revela que, no fim de 2019, dois em cada cinco municípios do País estavam nessa situação.

Essa proporção vem crescendo nos últimos seis anos. São cerca de 17 milhões de brasileiros, em 2.328 cidades, que precisam viajar para as vizinhas se quiserem abrir uma conta, tomar empréstimos ou até mesmo fazer saques. Em 2013, eram 1.901 municípios nessa situação.

Para analistas, a redução da rede de agências físicas é um obstáculo à inclusão de mais brasileiros no sistema bancário. A digitalização ajuda a preencher essa lacuna, mas ainda não é acessível para muitos, principalmente os mais velhos e mais pobres. Em seis anos, 2.414 agências foram fechadas em todo o país com os cortes de custos dos grandes bancos, inclusive os estatais, para enfrentar a crescente concorrência digital.

O fechamento de agências prejudica o aumento da bancarização, uma das metas do Banco Central. Em 2019, o Brasil ainda tinha 45 milhões sem conta bancária, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva. Destes, 61% estavam fora dos grandes centros. A falta de atendimento presencial leva pessoas a desistirem de ter conta em banco ou virarem “sub-bancarizados”: sacam o salário todo no fim do mês e não usam nenhum outro serviço bancário, como o crédito.

É natural que pessoas não queiram depositar o dinheiro num lugar onde não sabem para quem reclamar quando houver um problema. As redes físicas têm essa vantagem, ainda mais no interior, onde o gerente do banco é quase uma autoridade da cidade”, diz Renato Meirelles, presidente do Locomotiva, que vê dificuldade maior para as classes C, D e E.

A Febraban, federação que reúne os grandes bancos do país, diz que a digitalização é uma das maneiras de amenizar os efeitos do fechamento das agências. Hoje, segundo pesquisa da instituição, 60% das transações bancárias são feitas por celular ou computador.

Para Flávio Calife, economista da Boa Vista SCPC e autor de um estudo sobre o tema, a digitalização pode não funcionar nas pequenas cidades por falhas na infraestrutura.

Apesar das limitações, a tecnologia é hoje uma aliada dos comerciantes em regiões sem bancos. Além da popularização das maquininhas, a facilidade de resolver serviços pelo computador faz com que comerciantes economizem tempo e dinheiro no deslocamento e consigam manter relacionamento com as instituições financeiras.

Esse mercado é visto como uma oportunidade pelas fintechs, as start-ups financeiras. O Nubank, por exemplo, diz ter clientes em todos os 5.570 municípios brasileiros. Segundo Vitor Olivier, vice-presidente de Consumo e Operações da fintech, 44% dos clientes de contas digitais optaram pelo serviço para não precisar ir ao banco. Já a Saxperto, que oferece saques em varejistas, tem regiões com rede bancária limitada como alvos.

 

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