Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 15 de fevereiro de 2020
Resultados de atividade abaixo dos esperados em dezembro e indicadores antecedentes um pouco contraditórios de janeiro tornam os próximos dois meses cruciais para determinar se o governo Jair Bolsonaro conseguirá entregar um crescimento do PIB superior a 2% neste ano.
Com rebaixamentos pontuais em algumas previsões, um crescimento ao redor de 2% em 2020 já é encarado por parte do mercado mais como alvo do que como piso.
Os dois maiores bancos privados do país, Itaú Unibanco e Bradesco, no entanto, mantêm por enquanto suas estimativas: 2,2% e 2,5%, respectivamente. Mas o viés é de leve baixa no caso do Itaú Unibanco.
O mercado ainda vê pontos favoráveis na construção civil, na safra agrícola recorde, no consumo das famílias, no mercado de trabalho e, principalmente, no aumento do crédito.
Embora a taxa geral de desemprego tenda a permanecer elevada, ao redor de 11%, a expectativa é de formalização mais acelerada das vagas hoje precárias, com impactos positivos na renda e na confiança dos consumidores.
Na contramão, persiste a incerteza em relação à indústria e, consequência disso, a falta de uma retomada mais firme nos investimentos produtivos —adiados diante da elevada capacidade ociosa.
Sobre esse panorama pairam dúvidas a respeito do equilíbrio das contas públicas e da agenda de reformas neste ano eleitoral, mais curto para o Congresso.
A falta de definição até agora do que será prioritário na pauta (PEC da Emergência Fiscal, reforma administrativa ou tributária) já é vista em alguma medida como a repetição da desordem política do ano passado, que acabou afetando o crescimento.
Mais otimista entre bancos e consultorias ouvidos pela Folha, o Bradesco manteve a previsão de 2,5% para o PIB apoiado em dois pilares: recuperação do emprego formal e aumento do crédito.
Segundo Fernando Honorato, economista-chefe do banco, a melhora do mercado de trabalho neste momento, levando em conta séries históricas, é compatível com um PIB até mais forte.
“É cedo para qualquer revisão, e encaramos os dados um pouco mais fracos no fim do ano como ruídos. O emprego formal vem superando bem nossas expectativas”, diz.
Sobre uma eventual desaceleração externa causada pelos impactos do coronavírus, Honorato diz que haveria algum espaço adicional para o Banco Central cortar mais o juro básico, hoje em 4,25% ao ano.
Para Luka Barbosa, economista sênior do Itaú Unibanco, os dados mais fracos do fim de 2019 vieram dentro das expectativas do banco.
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central) caiu 0,27% em dezembro na comparação dessazonalizada com o mês anterior. Foi influenciado pelas quedas de 0,7% na produção industrial, de 0,1% no varejo (-0,8% no varejo ampliado, que inclui veículos, motos, peças e material de construção) e de 0,4% nos serviços.
No ano, o crescimento verificado pelo BC foi de 0,89%, abaixo do 1,34% de 2018.
“Esperávamos isso [a queda de dezembro] em razão da diminuição dos efeitos da liberação do FGTS. São dados voláteis, assim como o próprio PIB em sua sequência trimestral. Não acho que a história da recuperação esteja mudando.”
O economista ressalta que não há estímulos fiscais (gastos públicos) ou um boom de preços de commodities ajudando o crescimento neste momento, o que torna a recuperação “mais moderada; porém, mais saudável”.
Mesmo em relação à indústria, sua expectativa é de paulatina recuperação após o tombo de 6% nas exportações de manufaturados em 2019 por causa das tensões entre Estados Unidos e China e da crise na Argentina.
Para o economista Fabio Klein, da Tendências, é cedo para determinar se os dados menos favoráveis de dezembro vão se repetir. Indicadores de janeiro relativos à produção de papelão ondulado (para caixas e embalagens) e o tráfego de veículos pesados apontam para “um certo otimismo”.
A Tendências manteve a sua previsão de 2,1% de alta do PIB, apoiada no aumento do volume do crédito. Haveria, assim, impactos positivos no consumo e na construção civil, com reflexos favoráveis no emprego.
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