Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de fevereiro de 2023
Mais de 5 milhões de pessoas que moram na Síria podem ficar desabrigadas devido ao forte terremoto que sacudiu o Noroeste do país e também a Turquia na última segunda-feira, disse uma autoridade das Nações Unidas nesta sexta-feira (10). Os tremores de 7,8 de magnitude destruíram casas e prédios, deixando milhares de mortos e inúmeros desaparecidos nos dois países.
“Até 5,3 milhões de pessoas na Síria podem ter ficado sem um lugar para morar por causa do terremoto”, disse Sivanka Dhanapala, representante no país do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a repórteres em Damasco.
Diante do cenário de tragédia e após pedidos do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o Conselho de Segurança da ONU anunciou que vai se reunir para discutir a situação humanitária no país, disseram autoridades do órgão nesta sexta-feira. Martin Griffiths, secretário-geral adjunto da ONU para Assuntos Humanitários, visitará áreas afetadas pelo terremoto na segunda-feira, incluindo áreas rebeldes antigovernamentais no Noroeste do país.
A Suíça e o Brasil, membro não permanente encarregado da assistência humanitária na Síria, convocaram uma reunião do Conselho “o mais rápido possível a partir do início da próxima semana” para ouvir a avaliação do chefe humanitário da ONU, disse o representante Pascale Baeriswyl a repórteres.
“As necessidades adicionais e mecanismos complementares que o Conselho de Segurança pode discutir dependerão da avaliação da situação concreta no terreno”, acrescentou o embaixador brasileiro, Ronaldo Costa Filho.
Antes do terremoto que atingiu a Síria e a Turquia, quase toda a ajuda humanitária crucial para mais de 4 milhões de pessoas que vivem nas áreas controladas pelos rebeldes foi transportada da Turquia através da passagem de Bab al-Hawa. Isso graças a um mecanismo transfronteiriço criado em 2014 por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, contestada por Damasco, mas também por sua aliada Rússia, um membro permanente que tem direito de veto.
A ONG Human Rights Watch (HRW), por sua vez, instou a ONU a dispensar a permissão do Conselho, julgando não ser necessária. “Se o Conselho de Segurança está em um beco sem saída, e a ONU o considera viável e seguro, deve pressionar para enfrentar a crise e ajudar as vítimas”, comentou Louis Charbonneau, funcionário da organização, em sua conta no Twitter.
Com o avançar das horas, a esperança de encontrar sobreviventes é cada vez menor nas zonas afetadas pelo terremoto, um dos mais potentes em décadas na região, e que deixou milhares de mortos. Nesta sexta-feira, socorristas conseguiram retirar um menino de apenas seis anos dos escombros da cidade de Jindires, Nordeste da Síria, cinco dias após a tragédia.
Moussa Hmeidi foi retirado sob aplausos. Ferido no rosto e em estado de choque, ele sobreviveu além das 72 horas que os especialistas consideram fundamentais para encontrar sobreviventes sob as pedras.
“Moussa foi resgatado no quinto dia e apresenta ferimentos superficiais. Seu irmão foi encontrado morto e o restante da sua família segue sob os escombros, não sabemos nada sobre eles”, contou Abu Bakr Mohammad, morador que participou no resgate.
Os dois países contabilizam perdas econômicas gigantescas: de acordo com a agência de classificação Fitch provavelmente devem “superar US$ 2 bilhões e podem alcançar US$ 4 bilhões”. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.
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