Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de fevereiro de 2023
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) assumiu a linha de frente no combate aos invasores da Terra Yanomami. Apoiados por soldados da Força Nacional, desde segunda-feira vem realizando ações de repressão aos garimpeiros, que, apesar da proximidade do começo da operação militar e policial de desocupação da reserva, continuam transportando gêneros, combustíveis e equipamentos para os exploradores.
Até a noite de terça-feira, as operações do Ibama e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) haviam apreendido duas armas e três barcos, com aproximadamente cinco mil litros de combustível. Também foram destruídos um helicóptero, um avião, um trator de esteira usado para abrir estradas na floresta, além de estruturas de apoio logístico aos irregulares.
Na fiscalização fluvial, em embarcações do tipo “voadeiras” — compridas e com um motor de popa —, as equipes interceptaram, além da gasolina e diesel, uma tonelada de alimentos, freezers, geradores e antenas de internet. “Todos os suprimentos foram apreendidos e serão usados para abastecer a base de controle. Nenhuma embarcação com carregamento de combustível e equipamentos será autorizada a seguir”, assegurou o Ibama, por meio de nota.
O instituto também vem fiscalizando distribuidoras e revendedoras responsáveis pelo comércio irregular de combustível de aviação que abastece os garimpos. O objetivo da operação é inviabilizar linhas de suprimento e rotas que abastecem e escoam a produção do garimpo, além de garantir a permanência das equipes do Ibama por prazo indeterminado.
No espaço aéreo, a operação vem sendo realizada pelo Grupo Especializado de Fiscalização (GEF) do instituto, que rastreia as pistas de pouso clandestinas. “Sobrevoos para identificar e destruir a infraestrutura do garimpo, como aviões, helicópteros, motores e instalações, serão mantidos”, garante a nota do Ibama. As equipes contam com indígenas da região no auxílio às ações contra os invasores.
Por ser considerado um ponto estratégico para estrangular a ação ilegal, o Ibama e a Funai instalaram uma base de controle no rio Uraricoera, bacia hidrográfica que circunda a Terra Indígena (TI) Yanomami. É por ali que os garimpeiros têm fugido em grande número, desde que foi anunciada a ofensiva para a retomada da reserva.
Nesta posição, os agentes conseguem interceptar o fluxo de suprimentos para as áreas de exploração, identificar as pessoas que trabalham nos garimpos e para os garimpeiros, além de fornecedores. Nesse ponto do rio também é possível identificar comerciantes irregulares de combustível.
Polícia Federal
A Polícia Federal iniciou nesta sexta-feira (10) a destruição de máquinas e outros equipamentos utilizados no garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Segundo a corporação, o objetivo da ação é interromper as práticas criminosas na região e produzir provas materiais dos delitos.
“O foco das ações é na logística do crime e no registro da materialidade delitiva, não nas pessoas envolvidas, de modo a evitar que haja dificuldades na saída dos não índios da Terra Yanomami”, declarou o chefe da Diretoria de Meio Ambiente e Amazônia da Polícia Federal, Humberto Freire.
O diretor da corporação disse ainda que a PF quer evitar outra crise humanitária caso os garimpeiros não consigam deixar a região e fiquem sem recursos mínimos, como alimentos. Portanto, a saída deles não será impedida. “Não podemos esquecer que o foco principal da operação é a desintrusão total dos não índios da TI Yanomami”, afirmou.
A ação ocorre no âmbito da Operação Libertação. A PF lidera as ações de combate ao crime do garimpo ilegal na terra indígena, em uma força-tarefa que conta também com o Ibama, Funai, a Força Nacional e o Ministério da Defesa. Segundo a PF, a operação “permanecerá em andamento até o restabelecimento da legalidade na terra indígena Yanomami”. As informações são jornal Correio Braziliense.
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