Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 8 de julho de 2021
Ainda que 2020 (o pior ano da história da aviação) tenha acabado, o setor tem desafios importantes pela frente e várias empresas podem não resistir no caminho, segundo o diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), Willie Walsh. “O desafio ainda está adiante, não ficou para trás”, diz o executivo, que assumiu a entidade em abril, após comandar o International Airlines Group (que reúne a British Airways e a Iberia) por nove anos.
Walsh destaca que, à medida que as operações das companhias aéreas são retomadas, elas enfrentarão a dificuldade de balancear uma nova realidade de fluxo de caixa com o aumento das despesas. No ano passado, 40 companhias quebraram em meio à crise da pandemia. Em 2019, haviam sido 35. “Foram menos do que você pensaria. O risco de falência ainda existe conforme as operações forem retomadas. Acho que vamos ver mais empresas falindo no último trimestre deste ano e no começo do ano que vem.”
Confira, a seguir, trechos da entrevista que el concedeu ao jornal O Estado de S. Paulo.
– Depois de 2020, que foi o pior ano da história do setor aéreo, qual a situação da indústria? “Está um pouco melhor do que em 2020. É bom colocar as coisas em contexto. A receita da indústria aérea caiu 6,4% em 2001. Foi uma queda grande. Em 2009, com a crise financeira, caiu 16,5%. Mas, em 2020, caiu 56%. É uma escala completamente diferente. A crise foi também muito mais longa do que se esperava. Mas estamos começando a ver algumas indicações positivas, principalmente em países onde a vacinação progrediu e conforme mais países aceitam a entrada de quem foi vacinado. A principal restrição na demanda hoje não é a pandemia, mas as medidas adotadas pelos governos. Onde as restrições são relaxadas, há uma recuperação imediata. Países com mercados domésticos grandes, como EUA, China ou o Brasil, têm se recuperado mais rapidamente. Então, 2021 está mostrando sinais de recuperação e temos motivos para estarmos otimistas.”
– Alguns países estão com as fronteiras abertas; outros operam com restrições. Qual o impacto disso? “Isso é muito difícil. Não apenas temos diferenças entre países, mas também estamos vendo alguns países mudarem os requisitos muito rapidamente. Vimos países que relaxaram as restrições e imediatamente as recolocaram. Isso é particularmente difícil para as aéreas, que precisam de tempo para organizar seus cronogramas, trazer pessoas que estavam de licença não remunerada de volta e trazer aeronaves de volta à operação. Seria muito melhor para nós um padrão básico global, mas acho que isso é improvável no curto prazo. Mesmo em países da União Europeia, onde se esperava uma resposta comum, vimos requisitos completamente diferentes.”
– Quanto tempo vai levar para as empresas serem financeiramente sustentáveis novamente? “As perdas foram muito severas e o estrago no balanço das empresas é significativo. Estimamos que as dívidas que as companhias assumiram ao redor do mundo tenham aumentado em US$ 220 bilhões desde o começo da pandemia e que agora estejam em US$ 650 bilhões. Essa dívida está aumentando porque, para muitas companhias, a queima de caixa continua. Estimo que possa chegar a US$ 700 bilhões até o fim do ano. E vamos levar um tempo considerável para reparar isso. Acreditamos que voltaremos aos níveis de tráfego que tivemos em 2019 provavelmente em 2023 ou 2024.”
– Das empresas associadas à Iata, quantas faliram até agora? “Na verdade, menos do que você pensaria (foram cerca de 40 em 2020, ante 35 em 2019). E isso principalmente porque muitas empresas não estão queimando caixas por não estarem voando. O risco de falência ainda existe conforme as operações forem retomadas. Acho que vamos ver mais empresas falindo no último trimestre deste ano e no começo do ano que vem, principalmente empresas menores. Qualquer companhia que estava em uma posição fraca quando a crise começou está significativamente mais fraca agora.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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