Terça-feira, 07 de Abril de 2020

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Brasil Marcelo Odebrecht sai da prisão domiciliar e visita sede da empresa

Fachada da Odebrecht em São Paulo. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O empresário Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo que leva seu sobrenome, conseguiu a progressão do regime e não está mais cumprindo prisão domiciliar. Nesta quinta (12), o empreiteiro pôde deixar sua casa, onde estava preso desde dezembro de 2017, quando deixou a Custódia da Polícia Federal, em Curitiba. Uma das primeiras coisas feitas pelo empreiteiro ao conquistar a progressão foi visitar a sede da empresa, em São Paulo. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Marcelo cumprimentou algumas pessoas e foi aplaudido por funcionários. Ele percorreu vários andares do prédio localizado na marginal Pinheiros.

Marcelo teria que cumprir o regime de prisão domiciliar até junho de 2020, mas conquistou a progressão após como benefício da “cláusula de eficiência”, que estava prevista em seu acordo..

Por esse instrumento, caso Marcelo conseguisse provar com novas evidências o que disse à Justiça, ele poderia reduzir seu período de prisão domiciliar.

E foi o que aconteceu. Assim que deixou a prisão em Curitiba, o empreiteiro passou a dedicar muitas horas do seu dia para analisar emails antigos. Foram milhares de mensagens que ele enviou para o Ministério Público Federal.

Marcelo foi preso no dia 19 de junho de 2015. Ele estava em sua casa, no Morumbi (região oeste de São Paulo).

Setenta e oito executivos da Odebrecht fecharam colaboração com as autoridades. A empreiteira foi uma das principais empresas envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras investigado pela Lava-Jato.

Lava-Jato mira ex-executivos da Odebrecht

Em agosto, durante a 63ª fase da Lava-Jato, a Polícia Federal mirou em ex-executivos da Odebrecht desafetos do antigo chefe da empreiteira e considerados estratégicos para a descoberta de esquemas de propina ainda desconhecidos.

Baseada em suspeitas de pagamentos destinados ao PT por meio dos ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega, que comandaram a Fazenda nos governos petistas de Lula e de Dilma Rousseff, a operação prendeu Maurício Ferro, que foi diretor jurídico da Odebrecht, mas que, diferentemente dos principais executivos da construtora, não firmou delação premiada.

Genro de Emilio Odebrecht, Ferro já havia sido acusado pelo cunhado Marcelo Odebrecht de manipulação para se proteger das acusações.

Na casa dele a polícia afirma ter encontrado, na ocasião, quatro chaves de criptografia para acessar informações que podem ser inéditas e relacionadas ao setor de propinas da Odebrecht.

“Era algo que a Lava-Jato vinha buscando há anos”, afirmou Thiago Giavarotti, delegado da PF.

“Havia um receio de que, se não houvesse a prisão dessas pessoas e se não fossem encontradas essas chaves, elas poderiam desaparecer”, disse Antonio Carlos Welter, procurador da força-tarefa, em relação aos pedidos de prisão temporária, com prazo inicial de cinco dias.

A força-tarefa diz que houve repasses do grupo Odebrecht o PT, por meio dos ex-ministros, relacionados à edição das medidas provisórias 470 e 472, que instituíram refinanciamento de dívidas fiscais que beneficiaram empresas do grupo. O Ministério Público Federal afirma que Mantega recebeu R$ 50 milhões.

A Lava-Jato também cumpriu no mês passado mandado de prisão contra Nilton Serson, ex-executivo da construtora, ligado a Maurício Ferro e que estava em viagem nos Estados Unidos —mas ele ainda não era considerado foragido.

Na mesma fase a PF realizou ainda dez ações de busca e apreensão, duas na Bahia e oito em São Paulo. Uma delas teve como alvo Bernardo Gradin, ex-presidente da Braskem (petroquímica tida como joia da coroa do grupo Odebrecht), cuja família foi sócia do grupo e acabou em litígio com Marcelo.

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