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Por Redação O Sul | 15 de março de 2018
Uma multidão acompanhou, na tarde desta quinta-feira (15), o sepultamento da vereadora Marielle Franco (PSOL) no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A cerimônia ocorreu sob gritos e aplausos de políticos, amigos e familiares.
A família não permitiu que a imprensa acompanhasse o enterro, que aconteceu por volta das 18h. No início da cerimônia, um padre fez uma breve fala e disse que há uma “matança de pobres”.
O velório de Marielle e do motorista Anderson Gomes ocorreu na Câmara Municipal. Muito aplaudidos, os caixões chegaram ao palácio por volta das 14h30min, carregados por colegas e políticos, como Chico Alencar e o deputado estadual Marcelo Freixo. Mulheres formaram um cordão na frente do prédio para recebê-los. A cerimônia foi fechada.
Um ato foi realizado na praça da Cinelândia, em frente à Câmara do Rio. Uma multidão de manifestantes levou flores e cartazes contra a intervenção federal na cidade. Eles também fizeram coro contra a Polícia Militar.
Políticos e colegas da Câmara também estiveram no local. Uma das principais lideranças do PSOL, o deputado federal Chico Alencar fez um discurso na escadaria do Palácio e disse que as famílias pediram uma cerimônia reservada. Ele disse que há “opressão” e pediu uma vigília em memória à vereadora, com “serenidade”.
Os organizadores do ato se revezaram em discursos na frente da Câmara, nos quais repetiram o lema “Marielle, presente”, e na leitura de notas de pesar de movimentos de todo o País.
A cantora Zélia Duncan esteve no ato e disse que o momento é de luto e pediu mobilizações de rua.
Manifestantes colaram cartazes em memória à vereadora e jogaram tinta vermelha em um monumento e na fachada do prédio da Câmara.
Líderes religiosos participaram do ato e pediram orações. Roberto Cavalcanti, da Assembleia de Deus, disse que o crime representa a morte “da esperança”
“Crime bárbaro, que revela o estado em que a nossa sociedade está. É preciso repensar a necessidade de PM, de proibição das drogas, dessa guerra desnecessária”, disse o ator Caio Blat.
Para o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), Marielle lutava contra o “discurso de ódio que diz que bandido bom é bandido morto”.
Além do ato na Cinelândia, uma multidão protestou também em frente à Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).
Em coro, as pessoas pediam justiça e o fim da Polícia Militar. Um dos coros entoados dizia “Sem hipocrisia, a PM mata gente todo dia”. Na escadaria da Assembleia, carregavam faixas que diziam “Quem matou Marielle Franco?” e “Não Recuaremos, Marielle vive”.
Policiais Militares policiavam as ruas São José e Dom Manuel, ao lado e atrás da escadaria onde estão os manifestantes. O protesto é pacífico e não há sinais de conflito.
Os manifestantes também pediram a saída do presidente Michel Temer e do governador Luiz Fernando Pezão, além do fim da intervenção federal no Rio.
“Sinto uma perda da fé, da crença nas instituições com o que aconteceu”, afirmou Tainá de Paula, 29. “A população negra continua sendo assassinada sem haver consequências”.
Por volta das 18h30min, eles saíram da Alerj em direção à Candelária.
No fim do dia começou também uma manifestação em São Paulo, no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo).
Pelo menos 11 capitais também fazem manifestações nesta quinta em alusão à morte da parlamentar, como Salvador, Brasília, Recife, Belém, Natal, Florianópolis, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba.