Quarta-feira, 17 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 21 de novembro de 2017
Equipes de busca argentinas contam com o apoio de militares norte-americanos nesta terça-feira (21) em uma fase crítica da busca pelo submarino ARA San Juan, desaparecido há seis dias, desde o dia 15 de novembro.
A Marinha da Argentina afirma que a embarcação, com 44 tripulantes a bordo, possui capacidade para armazenar oxigênio e se manter submerso por sete dias no total, segundo informações da agência alemã Deutsche Welle.
A imprensa argentina definiu os esforços de busca do submarino como “sem precedentes” no país. De acordo com o jornal argentino “Clarín”, quatro embarcações submergíveis pertencentes à Marina dos EUA, pilotadas por controle remoto, foram colocadas em ação.
A Fragata Rademaker, pertencente à Marinha do Brasil, também foi deslocada para as buscas na Patagônia, segundo o Ministério da Defesa argentino.
Na noite de segunda-feira, o porta-voz da Marinha afirmou que o ruído detectado na zona de busca do submarino ARA San Juan não era proveniente da embarcação desaparecida.
O ruído havia sido registrado por dois navios argentinos e bóias especiais lançadas por um avião americano. Gravado, foi analisado por especialistas em terra. Balbi já havia alertado antes mesmo de sair o resultado que não queria alimentar “falsas expectativas”.
Mais cedo, a Marinha argentina havia detalhado que as sete chamadas de satélite detectadas no último sábado (18), não foram feitas pelo submarino, como se acreditava inicialmente.
Último contato
O ARA San Juan manteve contato com a base pela última vez na manhã de quarta-feira (15), quando estava no sul do Mar Argentino, a 432 km da costa patagônica do país.
Gabriel Galeazzi, um comandante naval, disse aos repórteres que o submarino veio à tona e comunicou um problema elétrico antes de sumir. “O submarino emergiu e relatou um mau funcionamento, e é por isso que seu comando terrestre ordenou que ele voltasse à sua base naval em Mar del Plata”, afirmou.
Galeazzi disse que é normal submarinos sofrerem com o mau funcionamento dos sistemas. “Um navio de guerra tem muitos sistemas auxiliares, para que se passe de um para outro quando há uma pane”, explicou.
Particularidades
A Marinha argentina revelou que, no último contato, o subcomandante afirmou que a embarcação apresentava um curto-circuito no sistema de baterias.
O submarino fazia o trajeto entre o Ushuaia, no sul do país, e a base naval de Mar del Plata, mais ao norte, quando deixou de se comunicar e sumiu dos radares. Segundo a Marinha, a tripulação teria comida e oxigênio para mais dois dias.
Os submarinos são construídos para serem difíceis de se encontrar. O papel deles é participar, com frequência, em operações secretas de vigilância.
Segundo o professor Robert Farley, da Universidade do Kentucky (EUA), é muito difícil rastrear um submarino se ele estiver parado no leito marinho, uma vez que nessas circunstâncias ele não fará nenhum barulho.
“O ruído que seria captado pelo que conhecemos como um sonar passivo é distorcido, e se parece como do fundo do mar”, conta ele, que é especialista em questões de segurança e assuntos marítimos.
Existem algumas formas de o capitão ou a tripulação tornarem sua localização conhecida em caso de dificuldades.
Esses métodos incluem enviar chamadas com sinalização para bases navais ou navios aliados ou soltar um dispositivo que flutua até a superfície, mas que continua ligado ao submarino.
O número de dias que uma tripulação pode sobreviver depende de quanto tempo eles têm desempenhado funções debaixo d’água e quão bem preparados estão para ficar sem energia.
“Se as baterias estiverem carregadas e o ar renovado”, diz Farley, “então o cenário é esperançoso”.
No caso do ARA San Juan, ele explica: “O alcance externo parece ser de dez dias, se eles estiverem bem preparados”.
Um dos treinos mais importantes para tripulantes presos debaixo d’água é diminuir a respiração para conservar o oxigênio. Farley diz, porém, que isso é algo muito difícil de treinar as pessoas a fazerem.
“Eu imagino que eles seriam aconselhados a reduzir as atividades e a falarem menos para poupar oxigênio.”
As condições, provavelmente de frio e umidade, podem ter um impacto ruim no ânimo da tripulação, mas o pessoal a bordo costuma ser bem treinado e disciplinado.
Eles provavelmente estabelecerão uma rotina para ficarem o mais confortável possível enquanto diminuem seus movimentos e dão suporte uns aos outros, aguardando o resgate.
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