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Saúde Médico com doença degenerativa rara volta a trabalhar graças à telemedicina

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O cardiologista Hemerson Casado usa computador adaptado. (Foto: Acervo pessoal)

A telemedicina, que durante a pandemia se popularizou e impôs mudanças profundas na saúde, trouxe uma transformação ainda maior para um médico morador de Maceió (AL). Foi por meio dela que o cardiologista Hemerson Casado, que sofre de uma doença degenerativa rara do sistema nervoso, conseguiu voltar a trabalhar.

Casado, de 54 anos, teve de parar com as atividades em centros cirúrgicos e consultórios em 2013, quando, já diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA), percebeu que as limitações de movimento não permitiam mais que continuasse na profissão. Pelo menos não da maneira tradicional.

“Logo que eu recebi a notícia, em 2012, eu ainda estava bem e segui operando e consultando pelo SUS e pelos convênios particulares. Até que, no final de 2013, fui obrigado a anunciar o meu afastamento da cirurgia. Eu ainda tentei insistir com o consultório, mas foi em vão. Minhas mãos já não respondiam ao comando do meu cérebro”, lembra.

Agora, oito anos depois, ele tem redescoberto a rotina de médico em casa, usando tecnologias que permitem que se comunique com colegas espalhados pelo país. Atualmente, apenas o seu cérebro e os seus olhos têm funcionamento pleno. As demais partes do corpo estão paralisadas pela evolução da enfermidade, que ficou conhecida mundialmente por acometer o físico britânico Stephen Hawking (1942-2018).

No computador, adaptado com equipamentos, Casado consegue mover o cursor do mouse e digitar utilizando o movimento dos olhos. O que escreve também pode se transformar em som, com o auxílio de um software que faz a leitura das frases com uma voz mecânica.

“Na pandemia, notei o crescimento da tecnologia [na medicina] e, um dia, pensei ‘Por que não?’. Coloquei um anúncio nas minhas redes e começaram a surgir oportunidades”, conta.

Assim, há cerca de três meses, ele passou a preparar laudos para exames da área de cardiologia, como eletrocardiogramas. Os materiais chegam on-line, são analisados e ganham parecer. Tudo feito à distância, de casa.

“Ainda não o conheço pessoalmente. Conversamos sempre pelo WhatsApp, é por lá que discutimos os casos. O trabalho acontece naturalmente, e o Hemerson vai muito bem”, diz a médica Mônica Lima, cardiologista que mantém uma plataforma de telemedicina em Vitória (ES).

A experiência de Casado também chamou a atenção de uma empresa do Rio Grande do Sul, a Telemedicina Morsch.

“Desde o começo entendi totalmente a condição dele. Como médico, se estivesse na mesma situação, imagino que me sentiria da mesma forma, querendo trabalhar, querendo me sentir útil”, reflete o cardiologista José Morsch, CEO da companhia, que conta com 300 profissionais.

Casado tem trabalhado ainda para uma empresa de telemedicina de Goiás e para a prefeitura da cidade de Pilar (AL). Em setembro, inicia também um contrato temporário com o Ministério da Saúde, como consultor de ações de capacitação de profissionais do SUS para lidar com doenças raras.

Mas a busca por vagas continua. Seu objetivo é conseguir realizar também teleconsultas, ou seja, atender pacientes pelo meio digital, como gostava de fazer no consultório. No entanto, ter contato com o público, diz, não é algo que os empregadores estão dispostos a apoiar. Nas suas tentativas nesse sentido, tem se deparado com preconceito, conta.

“O normal foi feito para os normais. Para os deficientes, tem que ser adaptado. As Paralimpíadas não seriam possíveis se tudo não fosse adaptado, por exemplo”, destaca. “Eu sigo com uma vontade interior imensa de viver e de realizar. Não faço mais nada para mim, mas sim para os outros pacientes, para a sociedade brasileira, para a minha família e amigos.”

Mais projetos

Casado mantém ainda abertas outras duas frentes de possibilidades: na política e na academia. Pretende concorrer novamente a deputado federal por seu estado em 2022, repetindo as tentativas que fez em 2014 e 2018 (pelo PMDB e pelo PP, respectivamente). Em ambas eleições terminou como suplente. Já no ensino superior a reaproximação foi em 2020, quando, pouco antes da pandemia, ingressou no mestrado em Ciências da Saúde na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Foi também na instituição que ajudou a criar um laboratório para estudo de doenças raras, em especial a ELA. O financiamento foi batalhado pelo médico nos governos federal e estadual por meio do Instituto Dr. Hemerson Casado, que ele fundou para fomentar pesquisas e garantir melhores tratamentos para os portadores da enfermidade. As informações são do jornal O Globo.

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