Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de setembro de 2020
O médico francês Didier Raoult, mundialmente conhecido como defensor da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, foi denunciado pela Sociedade de Patologia Infecciosa de Língua Francesa (SPILF), que o acusa de uma “promoção indevida do medicamento”.
Apesar de a ciência não ter demonstrado os efeitos potencialmente benéficos do remédio contra o novo coronavírus, alguns países e líderes mundiais, como o presidente Jair Bolsonaro, defendem abertamente seu uso.
“Confirmamos que houve uma denúncia ao conselho departamental das Bocas do Ródano do Colégio de Médicos, mas a SPILF não quer se manifestar sobre o assunto enquanto durar o caso”, disse uma porta-voz da Sociedade.
Segundo o jornal Le Figaro, a SPILF critica o médico Raoult por promover a hidroxicloroquina “sem que a ciência tenha estabelecido claramente nenhum dado preciso a respeito, o que supõe uma infração das recomendações das autoridades de saúde”.
“Nos perguntamos se sua postura tão contundente (…) não contribuiu para prejudicar a mensagem de prevenção na saúde pública” durante a epidemia de covid-19, diz a denúncia feita em julho e citada pelo jornal. Contatado pela AFP, o Instituto Mediterrâneo de Infecções de Marselha, dirigido por Raoult, não se posicionou imediatamente. A denúncia será, primeiramente, alvo de uma tentativa de conciliação. Caso não haja acordo, será julgada em uma câmara disciplinar. O caso pode durar meses.
No Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) anunciou neste domingo (6) que está recuperado do novo coronavírus. Em publicação em suas redes sociais, o filho do presidente Jair Bolsonaro aparece segurando uma caixa de hidroxicloroquina – remédio sem eficácia comprovada contra a covid-19, mas usado pelo senador no tratamento.
“Estou curado da covid-19, graças a Deus! Tratei, desde os primeiros sintomas, com hidroxicloroquina e azitromicina, com acompanhamento médico! Comigo, já são quase 3,3 milhões de brasileiros recuperados!”, escreveu o senador em seu Twitter.
Ao posar com o medicamento, Flávio repete o gesto do pai, que anunciou a recuperação da doença, em julho, mostrando o remédio que usou durante o tratamento. O presidente testou positivo para a covid-19 no começo do mês de julho e ficou em isolamento no Palácio da Alvorada.
Flávio testou positivo para o novo coronavírus no dia 24 de agosto. Por meio de sua assessoria, na época, ele afirmou que iniciou o tratamento com hidroxicloroquina e azitromicina – que também não tem eficácia comprovada. O senador também aderiu ao isolamento social.
Flávio foi o quarto integrante da família presidencial a contrair a doença. Além do próprio Bolsonaro, a primeira-dama, Michelle, e o filho mais novo, Jair Renan, também foram diagnosticados com covid-19. Nenhum deles informou ter sofrido complicações da doença.
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