Sexta-feira, 22 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de novembro de 2015
Foram afastados do trabalho os médicos Sebastião Bastos Soares Júnior e Juan Carlos Munoz Vilchez, que atenderam a técnica de enfermagem Elizangela Medeiros Gonçalves, 35 anos. Ela morreu três dias após passar mal e buscar atendimento no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, no Rio, onde onde ela trabalhava. A família alega negligência no atendimento e a própria Elizangela havia questionado a alta médica em um áudio.
O áudio.
O áudio enviado por Elizangela aos seu colegas de profissão relatou os momentos em que ela ficou no hospital onde trabalhava. No arquivo, Elizangela reclamava do atendimento recebido e disse que não quer morrer. “Quando eu cheguei pela manhã, o doutor Sebastião me fez um Diazepam e disse que eu estava com uma crise nervosa e eu estava dispneica, cansada, pálida, sem conseguir falar. Eu era pra ter ido direto pra vermelha e ele botou DZP, um negócio assim. Foi como se eu não tivesse nada, fosse frescura. Não deixou ninguém me botar no O². E disse que se alguém me botar no O² que ele ia relatar no livro e a equipe toda ia levar ao superior. Renato da vermelha enfermeira foi lá e ele não deixou me tirar dali. Eu fiquei até as 7h, esperando alguém para me colocar no oxigênio e eu vou te falar que foi Deus que me deu força para eu suportar porque mais um pouquinho eu não ia aguentar nesse intervalo esperando outro médico. Eu poderia morrer de falta de ar, de oxigênio, porque até para ir no raio x eu tive que ir de ‘bola de oxigênio’ e para ir no banheiro eu já não estou conseguindo. E para ficar internada para esses médicos fazerem pouco caso, me tratar como um lixo e eu trato os pacientes como prioridade. Eu não quero morrer. Para morrer aí, eu prefiro morrer em casa”, disse Elizangela reforçou a enfermeira.
A certidão de óbito da técnica em enfermagem registrou a causa da morte como “indeterminada”, mas indicou que ela apresentou hipertensão arterial sistêmica”.
Responsabilizações.
O Conselho Regional de Medicina do Rio já abriu sindicância para apurar a conduta dos médicos. Em caso de condenação, as punições vão desde advertência confidencial até a cassação do exercício da medicina. O colegiado informou que vai chamar os médicos, a direção do hospital, os parentes de Elizangela e funcionários para saber o que aconteceu. Uma cópia do prontuário também será solicitada. “Se houve algum deslize, algum erro médico comprovado, vai ser aberto processo ético-profissional contra quem cometeu esse erro”, disse Pablo Vazquez, presidente da entidade,
Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro informou que fiscalizou as unidades de saúde por onde passou a técnica de enfermagem para apurar se houve alguma irregularidade no âmbito da enfermagem. Segundo o órgão, “os enfermeiros responsáveis técnicos foram notificados e deverão responder sobre os fatos ocorridos”. Um parecer deverá ser emitido pelo Conselho após a investigação. (AG)
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