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Brasil Médico fica mais de 100 dias isolado da família e faz apelo sobre o coronavírus, dizendo: “Cuidar de si é cuidar dos outros”

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Sérgio com a esposa e os quatro filhos. (Foto: Arquivo Pessoal)

O período de isolamento pode ser difícil, mas serviu como um aprendizado para o médico cardiologista Sérgio Pacheco, que trabalha na linha de frente do combate ao coronavírus. Ele precisou ficar mais de 100 dias isolado dos filhos e da esposa para protegê-los do coronavírus.

Sérgio é de Sorocaba (SP) e atualmente trabalha na Santa Casa de Piracicaba. “Desde que iniciei o trabalho na UTI Covid procurei me isolar da família, como forma de cuidar deles e evitar passar o vírus, caso eu o contraísse”, contou.

Foi aí que começou o isolamento. Desde que iniciou na equipe do hospital, Sérgio contou ao portal G1 que passou a dormir em um quarto separado e também fazer refeições longe dos filhos e da esposa.

“No começo é bem difícil. Meus filhos queriam estar comigo e ficavam chateados por eu não deixar que me abraçassem, que me beijassem. Mas, aos poucos, eu e minha esposa fomos explicando a situação e eles foram compreendendo”, diz.

E assim a vida se manteve pelos primeiros meses de pandemia até que, no dia 10 de julho, durante um plantão, o médico começou a se sentir mal. “Eu sou hipotérmico e, quando medi minha temperatura, estava em 36, 2ºC, o que é alto pra mim. Tomei um remédio e esperei para ver se diminuía, mas daí também veio uma leve tosse seca”, explica.

Sérgio, então, colheu as amostras para realizar o teste da doença e era só uma questão de tempo até a confirmação chegar. “Eu sabia que não iria escapar. Meu local de trabalho é de alto risco, eu tenho contato com pessoas infectadas todos os dias. Não tinha como passar por isso sem pegar”, diz.

O que antes era um isolamento voluntário em casa, passou a ser uma questão primordial para proteger a família. Então, Sérgio fez regras ainda mais rígidas para evitar ao máximo o contato com os filhos e com a esposa.

“Depois do resultado positivo tudo ficou pior. A partir daí não sai mais do quarto em que dormia. Pra nada. As refeições minha esposa colocava na porta, saía, e só então eu pegava”, conta. O cardiologista explicou que sentiu dores de cabeça, muito cansaço, tosse e sinais de bronquite. Além do teste, ele também realizou uma tomografia, o que contribuiu para confirmar o diagnóstico.

Depois de 15 dias dentro de um quarto, Sérgio recebeu a notícia de que não estava mais com a doença. No dia 25 de julho ele realizou um novo exame e uma nova tomografia e ambos não detectaram mais a infecção no organismo. No entanto, ele contou que, no total, os sintomas demoraram 21 dias para desaparecer completamente.

“Minha única preocupação era com a minha família. Além do medo de passar o vírus, também fiquei pensando na sobrecarga que havia nas costas da minha esposa. Temos quatro filhos e todo o trabalho ficou pra ela. Mas eu sou extremamente grato por tudo e, se não fosse por ela, não teríamos passado por isso tão bem”, diz.

Depois de 150 dias de isolamento, Sérgio finalmente pôde sair do quarto e encontrar os filhos. A decisão foi tomada somente depois do resultado negativo do exame. A família postou um vídeo que mostra o momento nas redes sociais (veja acima).

“Foi indescritível. É uma sensação de renascimento. Ali eu percebi que tudo valeu a pena, que todas as dificuldades valeram a pena. Já pensou se eu morro? E se eu nunca mais pudesse abraçar meus filhos?”, relata.

Empatia

Para Sérgio, a lição que fica é a de empatia. A de nunca deixar de pensar no próximo. Durante a pandemia, o médico conta que aprendeu a valorizar mais a própria vida, principalmente depois de vencer a doença.

“Passei a cuidar mais da saúde e até a dirigir mais devagar no trânsito. Passei a zelar mais pela minha vida. Não quero deixar que meus filhos não tenham mais momentos em família”, diz.

“Com essa doença, o maior ato de empatia é cuidar de si. Porque quando você cuida de si mesmo, você também tá cuidando dos outros. Você tá evitando que eles peguem a doença também. Se a gente deixar o egoísmo de lado e pararmos pra pensar em quem tá ao nosso redor e, de fato, cuidarmos de nós, vamos estar preservando a vida de todas essas pessoas também”, finaliza.

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