Segunda-feira, 30 de Março de 2020

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Brasil Mesmo denunciado por racismo, o presidenciável Jair Bolsonaro participará de um evento com quilombolas no Pará

PGR considerou discriminatórias as declarações do deputado em palestra. (Foto: Reprodução/Instagram)

Em uma tentativa de atenuar os efeitos eleitorais da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ) pelo crime de racismo, o presidenciável participará de um evento com quilombolas em Parauapebas (PA) no dia 13  (sexta-feira).

Apresentada em abril ao STF (Supremo Tribunal Federal) pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a acusação contra o pré-candidato ao Palácio do Planalto foi baseada em declarações nas quais o deputado afirmou que quilombolas “não servem nem para procriar”.

O evento na cidade paraense, a cerca de 530 quilômetros de Belém, é organizado por Paulo Quilombola, líder da Federação das Comunidades Quilombolas do Pará, que, até o mês passado, apoiava a candidatura do senador Alvaro Dias (Podemos-PR) à Presidência da República.

Apesar das declarações em que Bolsonaro ataca os quilombolas, Paulo divulgou, no último dia 28, um vídeo em que anunciou o rompimento com Dias e a adesão à candidatura do deputado. Ele esteve com Bolsonaro na semana passada, em Brasília.

“Os inimigos de Jair Bolsonaro também são inimigos da federação e das populações tradicionais do Estado do Pará”, afirma Paulo Quilombola no vídeo. “Todos que perseguem Bolsonaro perseguem também a federação, porque estão com medo da mudança. Eu apoio Jair Bolsonaro e sei que, se ele assumir o Brasil, muita coisa vai mudar, muita coisa que está errada dentro do movimento afroindígena, dentro do movimento negro, vai mudar.”

Ao anunciar que iria a Parauapebas, durante sabatina na CNI (Confederação Nacional da Indústria), na última quarta-feira, Bolsonaro disse que os quilombolas “querem uma nova Lei Áurea”, em referência à lei de 1988 que aboliu a escravidão no Brasil: “Os senhores vão ver o atendimento que eu vou ter das comunidades indígenas locais e dos quilombolas. Os quilombolas querem uma nova Lei Áurea”.

Embora se diga representante dos quilombolas paraenses, Paulo Quilombola já foi alvo de uma nota de repúdio da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, divulgada em abril.

No texto, o órgão afirma que a atuação de Paulo Quilombola em nada contribui com negros e quilombolas. “As entidades do movimento negro e quilombola do estado do Pará manifestam o seu repúdio às práticas aviltantes desse senhor, exteriorizadas pelos seus discursos de ódio contra muitas de nossas lideranças quilombolas, entre outras, tendo como pessoal e único interesse (o que nos parece o mais grave) desmantelar todo o processo político até aqui construído por instituições sérias do nosso movimento”, diz a nota.

Denúncia

A PGR denunciou Jair Bolsonaro ao STF pelo crime de racismo contra negros, quilombolas e refugiados durante uma palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril de 2017. No discurso que o levou a ser denunciado, o parlamentar disse que os quilombolas “não fazem nada, eu acho que nem pra procriar eles servem mais”.

Na acusação, Raquel Dodge pediu que ele seja considerado culpado por duas incidências de racismo, com pena de um a três anos de prisão em regime fechado cada uma, mais o pagamento de uma multa por danos morais coletivos, no valor indenizatório mínimo de R$ 400 mil. Uma vez apresentada a denúncia, cabe ao STF decidir se aceita ou não a acusação. Caso a denúncia seja acolhida, Bolsonaro se torna réu e será julgado.

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