Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de dezembro de 2017
O presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira (22) que será um cabo eleitoral “substancioso” para 2018 e aproveitou para perguntar diretamente ao chefe de sua equipe econômica, Henrique Meirelles, se ele é candidato à Presidência da República no ano que vem.
Bem-humorado durante café da manhã com jornalistas no Palácio da Alvorada, Temer foi questionado sobre o fato de uma eventual candidatura de seu ministro da Fazenda prejudicar a votação da reforma da Previdência, marcada para fevereiro.
Respondeu prontamente que não acreditava em qualquer tipo de prejuízo em relação à reforma para, em seguida, dirigir-se a Meirelles, que estava sentado a seu lado: “Você é candidato?”. O ministro sorriu e afirmou que, como tem repetido “diversas vezes”, que essa decisão só será tomada no ano que vem.
Temer fez uma espécie de balanço de seu ano e meio à frente do Palácio do Planalto e admitiu que as denúncias de corrupção prejudicaram seu governo e sua popularidade –hoje em torno de 5%.
Segundo o presidente, que citou frase do publicitário Nizan Guanaes, “a popularidade é uma jaula” e seus baixos índices de aprovação devem ser usados para que ele faça “o que o Brasil precisa”. Apesar disso, acredita que os números vão melhorar até o início do ano que vem, permitindo que ele seja uma “grande cabo eleitoral” em 2018.
“A questão da corrupção prejudicou muito o governo e prejudica muito a popularidade, porque uma pesquisa que eu pedi, em caráter particular, revela que as pessoas têm vergonha de dizer, embora aprovem o governo, têm certo pudor, porque pensam: ‘poxa, esse governo corrupto, todo mundo é corrupto, a classe política é corrupta’, disse.
Este ano, Temer foi denunciado duas vezes pela Procuradoria-Geral da República por corrupção passiva, obstrução da Justiça e formação de quadrilha. Ambas as acusações foram barradas pela Câmara dos Deputados e voltarão a tramitar quando ele deixar o cargo, no fim de 2018.
Ladeado pelos ministros Meirelles e Raul Jungmann (Defesa), além do secretário de Comunicação, Márcio de Freitas, o presidente tentou transferir para “setores privados e públicos” a responsabilidade pela aguda crise política que acometeu seu governo.
Segundo ele, seus “detratores foram desmascarados” e hoje estão “presos ou desmoralizados”. Com isso, acredita Temer, será possível recuperar capital político em 2018 – para quando tentar articular um bloco de centro – direita que deve apoiar um candidato ao Planalto.
Meirelles é um dos possíveis nomes que poderia ser sustentado por esse bloco, mas o ministro ainda não bateu o martelo sobre disputar a sucessão presidencial. Temer, por sua vez, afirmou que apoiará um candidato que não seja “extremista”, em referência aos dois líderes nas pesquisas – em campos opostos –, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSC), mas disse também que, para isso, esse nome precisa defender as reformas e o governo.
“Haverá candidatos mais extremados e um de centro, as pessoas querem política de resultado, alguém moderado, que saiba compor as várias correntes políticas do País, que não seja guiado pelo certo mal-estar, ódio. Os que se extremarem terão dificuldade”, declarou Temer.
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