Terça-feira, 19 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de setembro de 2017
O presidente Michel Temer se reuniu na tarde desse sábado com o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), presidente da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) instalada para investigar empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) à J&F, empresa que controla o frigorífico JBS.
Oliveira chegou ao Palácio do Jaburu, em Brasília, pouco depois das 17h desse sábado e ficou cerca de 40 minutos no local. Ele saiu sem falar com jornalistas.
Michel Temer teria dito a Oliveira que é muito importante que a investigação sobre a JBS prossiga. Está marcada para a próxima terça-feira uma reunião da CPMI, onde deverá ser escolhido o relator, que deve ser o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), um dos integrantes da tropa de choque de Temer.
O governo admite que o nome de Marun agradaria o presidente, mas interlocutores afirmam que qualquer que seja o nome escolhido, não irá gerar problemas para o Palácio do Planalto. O ministro Antonio Imbassahy, que cuida da articulação política do governo, afirmou que a escolha do relator está “em boas mãos”. “O senador Ataídes tem apoiado de forma muito firme e decidida as iniciativas do governo no Senado. A decisão sobre o relator é dele e está em boas mãos, nenhuma preocupação”, disse o ministro.
O encontro ocorreu horas depois de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prisão de delatores da J&F, entre eles o empresário Joesley Batista, na esteira da divulgação de uma gravação que aponta que eles descumpriram o acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público ao omitir informações sobre crimes.
Mais cedo, o presidente recebeu ministros e congressistas para um almoço no Jaburu. Oficialmente, a informação é que o almoço serviu para retribuir ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), outro almoço que aconteceu na quinta.
Além de Maia, também foram convidados para o almoço de Temer no Jaburu o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), os ministros Henrique Meirelles (Fazenda), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo), Moreira Franco (Secretaria-Geral), Torquato Jardim (Justiça) e Helder Barbalho (Integração Nacional), e o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI).
Quando o presidente da CMPI chegou ao Jaburu ainda estavam no local Meirelles, Imbassahy e Moreira Franco.
Geddel e PMDB
O almoço no Jaburu ocorreu também um dia depois da nova prisão do ex-ministro da articulação política e amigo pessoal de Temer, Geddel Vieira Lima, e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, oferecer denúncia contra senadores do PMDB.
O chefe do Ministério Público denunciou por organização criminosa os senadores peemedebistas Edison Lobão (MA), Jader Barbalho (PA), Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO), além dos ex-senadores José Sarney e Sérgio Machado.
No final da tarde, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deixou o Jaburu e falou com jornalistas. Ele afirmou que nada relacionado à denúncia contra senadores do PMDB ou à prisão de Geddel foi mencionado durante o almoço.
“Foi um almoço de temas gerais, discutimos assuntos gerais e não de cada ministério. A única conversa objetiva foi de uma agenda de trabalho, que foi a agenda econômica”, disse Meirelles.
Ainda de acordo com o ministro, apesar das últimas notícias no cenário político, o governo vê possibilidade de votar a Reforma da Previdência até outubro no Congresso.