Segunda-feira, 29 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 28 de junho de 2026
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deu mais um passo em sua atuação política ao tornar pública a crise com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), movimento que tem como pano de fundo a disputa por influência e o interesse em formar uma bancada de aliados. Para isso, ela tem à disposição a estrutura do PL Mulher e vem ganhando espaço nas decisões partidárias.
A ex-primeira-dama fez questão de destacar essa trajetória no vídeo de 27 minutos divulgado na quarta-feira com críticas a Flávio — a gravação foi feita na sala da presidência do PL Mulher, em Brasília. Embora apresentado como um desabafo sobre a crise familiar, boa parte funciona como uma prestação de contas de sua gestão. Michelle lembra que percorreu o Brasil, estruturou diretórios nas 27 unidades da federação e ajudou a eleger 1.005 mulheres nas eleições municipais de 2024, um crescimento de 45,8% em relação ao pleito anterior.
Ao longo do vídeo, ela se refere a Jair Bolsonaro como “meu marido” 31 vezes e diz que compartilha com ele as principais decisões sobre política. Para interlocutores da ex-primeira-dama, a repetição reforça a ligação direta com o ex-presidente justamente em um momento em que diferentes grupos disputam a herança política de Bolsonaro. Aliados sustentam que o ex-presidente foi informado previamente sobre a gravação.
Principais interesses
O principal interesse de Michelle nas eleições está relacionado a três potenciais candidaturas ao Senado: as deputadas Priscila Costa (PL-CE), vice-presidente nacional do PL Mulher e pivô da mais recente crise, Caroline de Toni (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF)l.
“O trabalho que ela faz é comprovado pelo número de mulheres eleitas e filiadas. Ela não fez só eventos, ela fez treinamento”, disse a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
A estrutura construída por Michelle no PL Mulher reúne uma iniciativa voltada à formação política de mulheres conservadoras e que congrega cerca de 5.200 participantes em todo o país. O movimento distribui cartilhas para candidatas, oferece treinamentos e cria programas permanentes de formação política. Neste ano, lançou a campanha incentivando mulheres a atuarem como fiscais partidárias e mesárias nas eleições.
A expansão foi acompanhada pelo aumento de recursos. Em 2024, o PL Mulher recebeu R$ 16,2 milhões da direção nacional do partido para financiar suas atividades em âmbito nacional, de acordo com dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral. O número representa o dobro do desembolsado pelo PT para a ala feminina no mesmo ano.
Michelle não movimenta diretamente os recursos, mas define prioridades orçamentárias — cursos, viagens, eventos —, cabendo à direção nacional a execução financeira.
Embora tenha assumido a presidência do PL Mulher em 2023, seu engajamento começou na campanha presidencial de 2022. O movimento se aprofundou nos anos seguintes, o que gerou atritos.
Foi nesse contexto que a disputa no Ceará ganhou dimensão nacional. Michelle defende que Priscila Costa seja contemplada com uma das vagas ao Senado. A articulação conduzida por Flávio e dirigentes do partido, no entanto, caminhou em outra direção: uma composição entre o deputado estadual Alcides Fernandes e o pré-candidato do PSDB ao governo, Ciro Gomes.
Na avaliação de aliados, Michelle alterou o equilíbrio interno do bolsonarismo ao criar um novo centro de influência que passou a disputar espaço com o núcleo formado pelos filhos do ex-presidente.
“Michelle desempenha um papel relevante. No campo político do bolsonarismo, contudo, é inegável que todas as principais lideranças gravitam em torno de Jair Bolsonaro”, resume o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, pré-candidato ao Senado pelo PL na Paraíba. As informações são do jornal O Globo.
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