Quinta-feira, 21 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de abril de 2018
O MP (Ministério Público) alemão solicitou nesta terça-feira (03) a extradição para a Espanha do ex-presidente catalão Carles Puigdemont. O líder separatista catalão foi detido na Alemanha, em 25 de março, após cruzar de carro a fronteira com a Dinamarca, voltando de uma viagem que fez à Finlândia.
A Procuradoria-Deral do Estado de Schleswig-Holstein reconheceu a validade no direito alemão das acusações da Justiça espanhola contra Carles Puigdemont, que incluem “rebelião” e “malversação”, e pediu a sua extradição. A decisão da Justiça deve ser anunciada nos próximos dias.
Puigdemont foi detido no dia 25 de março após a emissão de uma ordem de prisão europeia do Tribunal Supremo da Espanha. Ele está preso em Neumünster. Além do ex-presidente catalão, outros nove líderes independentistas, incluindo seis pessoas que integraram o seu governo, estão em prisão preventiva na Espanha como parte do mesmo processo.
Puigdemont saiu da Espanha para um auto exílio na Bélgica no ano passado, pouco depois de o Parlamento catalão fazer uma declaração simbólica de independência da Espanha. Ele chegou à Finlândia na quinta-feira (22) para se encontrar com parlamentares e comparecer a uma conferência.
Após a expedição da ordem de prisão, o ex-líder catalão deixou a Finlândia e se dirigia à Bélgica, onde, de acordo com aliados, planejava colaborar com as autoridades sobre as tentativas da Espanha de extradição. Ele foi detido na rodovia A7, na cidade de Flensburg, no Estado de Schleswig-Holstein, no Norte da Alemanha.
Entenda a polêmica
A atual crise política foi desencadeada após a realização de um referendo considerado ilegal pelo governo e pela Suprema Corte espanhóis. Na consulta popular de 1º de outubro de 2017, 90% dos votantes foram a favor da independência (2 milhões de pessoas, ou 43% do eleitorado catalão) da Catalunha.
Com o resultado favorável à independência, o presidente regional catalão declarou, no Parlamento local, que a região “ganhou o direito de ser independente e, em seguida, suspendeu seus efeitos para negociar com Rajoy”.
A atitude deixou dúvidas sobre se houve uma declaração de independência da região da Catalunha e fez com que Rajoy exigisse um esclarecimento formal de Puigdemont. Como não houve resposta, o premiê espanhol propôs intervir no governo regional – o que foi aprovado pelo Senado.
Repercussão do caso
O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse que a UE (União Europeia) continuará lidando apenas com o governo espanhol, na capital Madri. “Para a União Europeia não muda nada. A Espanha continua como nosso único interlocutor. Espero que o governo espanhol favoreça a força do argumento, não o argumento da força”, afirmou o político pelo Twitter.
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