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Acontece Monstros do esgoto invadem escolas gaúchas

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Os personagens Dr. Veneno, Madame Bloqueio, Papeleiro Maluco, Sr. Infiltrado e Capitão Seboso estão visitando as escolas ensinando e brincando.

Foto: Gabriela Souto e Johnny Marco.

Projeto educativo da Corsan transforma personagens em aliados da educação ambiental e aposta nas crianças para levar o debate sobre saneamento das salas de aula para dentro das famílias.

Não foi um susto. Quando Dr. Veneno, Madame Bloqueio, Papeleiro Maluco, Sr. Infiltrado e Capitão Seboso surgiram diante de dezenas de crianças em uma escola municipal de Gramado nesta terça-feira (26), a reação foi exatamente a esperada: risos, curiosidade e atenção imediata. Em poucos minutos, os chamados “Monstros do Esgoto” haviam conquistado a sala — e, junto com ela, uma oportunidade rara de transformar um dos temas mais técnicos da vida urbana em aprendizado memorável.

A cena marcou o lançamento de uma nova etapa da Patrulha contra os Vilões do Esgoto, projeto de educação ambiental da Corsan que escolheu um caminho pouco convencional para tratar de um dos desafios mais importantes — e menos visíveis — das cidades: ensinar crianças a compreender o valor do saneamento, o impacto do descarte incorreto de resíduos e a importância do cuidado com a água.

Pode parecer improvável que monstros caricatos consigam explicar conceitos como rede coletora, extravasamento de esgoto ou preservação hídrica. Mas é exatamente esse o diferencial da iniciativa. Ao transformar problemas cotidianos em personagens, a companhia aproxima um tema complexo da linguagem infantil e torna o aprendizado mais próximo, concreto e duradouro.

Voltado a alunos do 1º ao 4º ano do Ensino Fundamental, o projeto utiliza teatro, jogos, desafios interativos e brincadeiras para mostrar que pequenas atitudes dentro de casa — como jogar papel, gordura ou lixo no ralo — podem gerar consequências que ultrapassam os muros da residência e afetam toda a cidade. O que antes parecia um gesto banal passa a ser entendido como causa de entupimentos, poluição de rios e danos ambientais.

A estratégia vai além da sala de aula. Especialistas em educação ambiental apontam que crianças têm alto poder de influência dentro do ambiente familiar. Ao aprenderem sobre descarte correto e preservação da água, elas se tornam multiplicadoras naturais de comportamento, levando conhecimento e novas práticas para dentro de casa.

É essa transformação que a Corsan pretende estimular.

“Quando falamos em saneamento, falamos também sobre educação, comportamento e responsabilidade coletiva. Ensinar as crianças, desde cedo, sobre o cuidado com a água e o descarte correto de resíduos é uma forma de construir cidades mais conscientes e sustentáveis. E quando esse aprendizado acontece de forma lúdica, por meio de personagens e experiências divertidas, ele cria conexão, participação e impacto real no dia a dia das famílias”, afirma Samanta Takimi.

Os personagens que agora ocupam as escolas já eram conhecidos por muitas famílias gaúchas. Eles surgiram durante a Caravana de Verão da companhia, nas praias do Litoral Norte e Sul, onde chamaram atenção ao transformar educação ambiental em entretenimento. O retorno positivo motivou a expansão do projeto para a rede pública de ensino, considerada estratégica para consolidar hábitos sustentáveis desde cedo.

Nos próximos dois meses, a Patrulha percorrerá 22 municípios gaúchos, entre eles Bento Gonçalves, Passo Fundo, Santa Maria, Rio Grande e Torres, levando atividades para centenas de estudantes nos turnos da manhã e da tarde. Ao final de cada encontro, as escolas recebem um certificado simbólico de “Escola Combatente dos Vilões do Esgoto”, reforçando o compromisso da comunidade escolar com a preservação ambiental.

Enquanto no subsolo das cidades novas redes continuam sendo construídas para ampliar a infraestrutura do saneamento, dentro das salas de aula outra obra igualmente importante começa a tomar forma: a formação de uma geração que entende que saneamento não é apenas engenharia — é cidadania. E talvez não exista lugar melhor para enfrentar os “vilões” do futuro do que exatamente onde o futuro começa: na escola.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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