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Mundo A montadora Mercedes-Benz fará hora extra até abril para atender ao crescimento da demanda tanto no mercado interno como nas exportações

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Crescimento da demanda movimenta o setor. (Foto: Divulgação)

Há um ano a principal preocupação na Mercedes-Benz era encontrar saídas para driblar o excesso de pessoal. Depois de licenças e férias, a montadora partiria para um programa de demissões voluntárias. Com um largo sorriso, o presidente da empresa, Philipp Schiemer, contou que os operários da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) agora vão fazer hora extra dois sábados por mês.

A montadora alemã precisa aumentar a produção de caminhões para atender ao crescimento da demanda tanto no mercado interno como exportações. No caso de ônibus, produzidos na mesma fábrica, ela prepara-se, segundo Schiemer, para encomendas que vão resultar de um novo contrato de exportação na América Latina.

A Mercedes não é a primeira fabricante a decidir pelo trabalho extraordinário aos sábados. No mês de setembro, sua maior concorrente, a MAN, anunciou a necessidade de trabalhar três sábados por mês até o fim deste ano.

A decisão dos dois maiores produtores de caminhões do País de esticar a jornada indica o otimismo em relação aos sinais de recuperação da economia. Este ano está praticamente perdido para o setor, que estima chegar a dezembro com volumes de vendas no mercado doméstico praticamente iguais às de 2016 – em torno de 50 mil caminhões e 11 mil ônibus.

Mas para 2018 Schiemer conta com crescimento de 20%, que ele chama de “muito realista”, para os dois segmentos. Para ele, apesar de positivas, as projeções são ainda insuficientes para compensar a retração de 70% no mercado interno nos três últimos anos.

O entusiasmo nas montadoras reflete-se nos fornecedores. O presidente do Sindipeças (Sindicato da Indústria de Componentes), Dan Ioschpe, diz que o faturamento do setor tende a crescer mais de 6% em 2018. A última projeção da entidade indica crescimento de mais de 10% já na receita de 2017. Segundo ele, também na indústria de autopeças, as exportações ajudaram a crescer.

As vendas externas absorvem atualmente entre 35% e 40% da produção. Somente nas montadoras, desde o início do ano, foram abertos 5,6 mil postos de trabalho, o que representa um avanço de 4,6% no nível de emprego do setor em relação a dezembro de 2016.

O aumento no ritmo de trabalho não se limita ao segmento de veículos pesados. Na semana passada, a Volkswagen retomou a produção em três turnos na fábrica de automóveis de São Bernardo do Campo para atender à demanda pelo Polo, recém-lançado, e o início de produção do sedã Virtus.

Mas as jornadas mais longas na indústria de veículos nem sempre refletem horas extras para os trabalhadores. Com a crise, as montadoras recorreram aos seus bancos de horas. Ou seja, o trabalho extraordinário de agora vai servir para compensar o que deixou de ser feito em tempos difíceis.

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