Segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 6 de maio de 2016
Morreu nesta quinta (5), aos 75 anos, o capitão reformado Homero Cesar Machado, citado em entrevista pela presidenta Dilma Rousseff como uma das pessoas que dirigiam as torturas que ela sofreu durante a ditadura (1964-1985). O corpo foi cremado nesta sexta-feira (7) na Vila Alpina, em São Paulo.
Relatório da Comissão da Verdade aponta Machado como torturador de ao menos quatro militantes durante a ditadura militar. Ele foi dirigente da Oban (Operação Bandeirante) e chefe de interrogatório do Doi-Codi de 1969 a 1970.
Segundo o documento, ele foi responsável por “tortura até a morte e ocultação de cadáver” de Virgílio Gomes da Silva, militante da ALN (Ação Libertadora Nacional) preso em São Paulo, em 29 de setembro de 1969.
Virgílio foi morto horas depois de ser preso, sob tortura, aos 36 anos, na Oban. Ele participara do sequestro do embaixador norte-americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, em troca da libertação de presos políticos brasileiros.
Machado também foi apontado pela comissão como um dos autores de torturas do frade dominicano Frei Tito (1945-1974), que se suicidou anos mais tarde em decorrência de sequelas das sevícias.
O documento ainda aponta Machado como comandante das equipes de tortura de Roberto Macarini, militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) morto aos 19 anos na sede da Oban, e como torturador de Heleny Ferreira Telles Guariba, militante da VPR desaparecida em julho de 1971.
Em entrevista publicada na “Folha de S. Paulo”, em 2005, Dilma relatou como foi torturada durante o tempo em que ficou presa, de janeiro de 1970, quando tinha 22 anos, a 1973. Dilma era militante política – integrou o Colina (Comando de Libertação Nacional) e a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares).
“Levei muita palmatória”, disse. Em resposta à pergunta “Quem batia?”, respondeu: “O capitão Maurício sempre aparecia. Ele não era interrogador, era da equipe de busca. Dos que dirigiam, o primeiro era o Homero, o segundo era o Albernaz.”
A presidenta relatou também ter recebido choques nos pés, nas mãos, coxas, orelhas, na cabeça e no bico do seio. (Folhapress)
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