Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 31 de janeiro de 2018
O motorista Antônio Almeida Anaquim, que atropelou 18 pessoas no calçadão de Copacabana, causando a morte de um bebê, na noite de 18 de janeiro, pensava em deixar o País, de acordo com investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro – a defesa nega. A Justiça determinou na terça-feira (30) a apreensão do passaporte dele.
Os investigadores receberam informações de que Anaquim tem passaporte português e que teria intenção de viajar para fora do Brasil. À frente do caso, o delegado da 12ª DP (Copabacana) Gabriel Ferrando disse que não há provas de que ele fugiria, mas que o pedido feito à Justiça foi para “evitar riscos”.
“Queremos, com isso, dar uma resposta firme e afastar qualquer sensação de impunidade e proteger a investigação de qualquer atitude que possa colocar em risco a conclusão das investigações”, argumentou Ferrando. “As investigações estão bem avançadas.” Após intimado, é preciso entregar o documento em até 24 horas.
A defesa disse considerar “absurda a hipótese de Antonio Anaquim querer sair do Brasil”. “O passaporte de Antonio está vencido desde o dia 16 de março de 2016 e não houve, desde então, nenhum pedido de renovação na Polícia Federal. Antonio confia na condução ética e imparcial da Autoridade Policial, assim como na Justiça brasileira. Seu passaporte, embora imprestável para sair do País, será entregue à Autoridade Policial, em cumprimento à determinação judicial”, diz o texto assinado pelo advogado Alexandre Mallet.
Anaquim seguirá respondendo em liberdade por homicídio culposo – quando não há a intenção de matar. O motorista alega que sofreu um apagão durante uma crise de epilepsia.
O motorista não poderia estar dirigindo por estar com a habilitação suspensa: em cinco anos, acumulou 14 multas e 62 pontos na carteira. Anaquim disse que não foi notificado da suspensão do direito de dirigir.
O condutor estava com uma mulher no carro quando, segundo relatou à polícia, teve um apagão. Ele comprovou sofrer de epilepsia e o uso de remédios para conter as crises. Ao Detran-RJ, no entanto, havia negado qualquer tipo de problema ao renovar a carteira. Por isso, também responde por falsidade ideológica.
O administrador de empresas não poderia estar dirigindo. Ele estava com a habilitação suspensa porque em cinco anos, acumulou 14 multas e 62 pontos na carteira. Na delegacia, Antônio Anaquim disse que não foi notificado da suspensão do direito de dirigir.
O Detran-RJ tem a cópia da notificação enviada para o antigo endereço do motorista, em março de 2015. O documento foi recebido e assinado por uma pessoa chamada Benedito Alberto. Ele é o porteiro do prédio.
Em depoimento à delegacia, Benedito reconheceu a própria assinatura no aviso de recebimento do Detran. Mas disse que não se lembra de ter entregue especificamente esta notificação ao motorista.
Mesmo impedido de dirigir, Antônio Anaquim conseguiu renovar a carteira, em dezembro de 2015. No formulário de renovação, ele rasurou uma resposta. Marcou que não toma remédios nem faz tratamentos de saúde. Disse também que nunca sofreu tonturas, desmaios ou convulsões. Ao ser perguntado se tinha epilepsia, também marcou a resposta “não”.
A menina Maria Louize, de 8 meses, morreu no atropelamento. Os pais dela afirmam que irão processar Anaquim.
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