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Brasil As mulheres com emprego trabalham mais em casa do que os homens desempregados

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"Para os homens não muda muito se ele é ou não ocupado", afirma especialista. (Foto: Reprodução)

A Pnad (Pesquisa Mensal por Amostra de Domicílios) Contínua de 2017, divulgada na quarta-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostra avanço na divisão de tarefas em casa, mas a desigualdade de gêneros ainda está longe de ser superada. De acordo com o instituto, as mulheres empregadas – ou seja, que trabalham fora – dedicavam, em 2017, 18,1 horas semanais às tarefas de casa e cuidados com filhos e idosos. A média é maior até que a dos homens desempregados ou inativos, que dedicam só 12 horas por semana a essas atividades.

Para os homens empregados, a média ficou em 10,3 horas semanais. Já as mulheres fora do mercado de trabalho chegam a dedicar 23,2 horas por semana aos afazeres domésticos ou seja, quase o dobro do observado nos homens com vaga. Na média geral, considerando todas as mulheres (ocupadas, desocupadas e inativas), elas dedicam 20,9 horas às tarefas domésticas e aos cuidados pessoais de crianças e idosos, o que inclui atividades como olhar as crianças e levar à escola. É o dobro das horas dedicadas por eles: só 10,8 horas semanais.

A analista de Trabalho e Rendimento do IBGE, Alessandra Brito, avalia que esses resultados demostram que “é uma questão que ainda vai demorar um pouco para ser equilibrada. É uma mudança estrutural, que leva mais tempo, é preciso uma mudança de mentalidade. Todo mundo avançou, mas a proporção de mulheres aumentou menos, porque elas já tinham uma taxa muito alta”.

De acordo com Alessandra, “para os homens não muda muito se ele é ou não ocupado, isso afeta mais a mulher. Quando no mercado de trabalho, ela fica com menos horas disponíveis para fazer tripla jornada: cuidados, afazeres e trabalhar fora”.

Melhora

Em 2017, mais homens se dedicaram aos trabalhos no lar: eram 78,7% dos 80,5 milhões de pessoas do sexo masculino acima de 14 anos, contra 74,1% em 2016. Foi um salto de 4,6 pontos percentuais, acima do registrado entre as mulheres (2 pontos), de 90,6% para 92,6%.

As pessoas de 25 a 49 anos são as que mais realizam afazeres domésticos (88,4%), tanto entre mulheres (95,4%) como entre homens (80,9%). No período 2016-2017, aumentou a taxa de realização em todos os grupos de idade, mas o aumento foi mais intenso entre os homens de 14 a 24 anos (aumento de 6,7%) e de 25 a 49 anos (6,6%).

Enquanto entre as mulheres a maior taxa de realização de afazeres era observada para as cônjuges ou companheiras (97,0%), entre os homens, eram os responsáveis pelo domicílio que mais realizavam afazeres (85,0%).

O tipo de tarefa mais realizada foi preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar a louça, declarada por 80,1% das pessoas que realizaram afazeres domésticos em 2017.

Com exceção da tarefa de pequenos reparos ou manutenção do domicílio, do automóvel, de eletrodomésticos ou outros equipamentos, as mulheres apresentaram taxas de realização superiores a dos homens em todas as outras atividades, com destaque para a grande discrepância nas tarefas preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar louça (95,6% frente a 59,8% para os homens) e cuidar da limpeza ou manutenção de roupas e sapatos (90,7% frente a 56,0% para os homens).

Alessandra ressaltou que a Pnad Contínua permite identificar algumas atividades que antes eram invisíveis: “eram trabalhos que não eram medidos. Por exemplo, se uma pessoa deixa de trabalhar para cuidar de uma criança, esse trabalho não é precificado, mas a contratação de uma babá entra na conta do PIB, pois existe um valor de mercado para isso. O objetivo é que, em algum momento, essas informações entrem no Sistema de Contas Nacionais”.

 

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