Sexta-feira, 08 de maio de 2026
Por Nadine Anflor | 8 de maio de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Cada mulher tem o poder de inspirar outras a ocuparem seus espaços nas instituições de segurança pública, nas organizações, na política. Como delegada e deputada estadual, sei do meu papel de incentivadora de outras mulheres, seja pelas propostas legislativas que apresento quanto pelo exemplo da minha conduta. Isso amplifica minha responsabilidade, mas também me motiva a trabalhar ainda mais.
Infelizmente, a maioria dos ambientes ainda é muito desigual para nós. Somos mais da metade da população, mas ainda poucas em funções de liderança. Na segurança pública, nossa presença poderia ser maior. O mesmo na política: de acordo com o TSE, entre 2018 e 2024, a média de candidaturas femininas foi de 34%, sendo 17% de eleitas. Os dados colocam o Brasil na 139º posição em ranking internacional sobre mulheres no parlamento, entre 184 países.
Como cidadã, delegada de polícia e deputada estadual, quero uma sociedade equilibrada que trate a mulher com respeito, proteção e igualdade de oportunidades. Essa é uma meta pessoal que começou na segurança pública, enfrentando diariamente as consequências da violência contra as mulheres.
Percebo certa evolução, mas ainda muito lenta. Cada vez mais mulheres disputam eleições e buscam mudanças reais. Dedico meu mandato a pautas que refletem essa transformação: segurança pública moderna, direitos das mulheres e combate à violência doméstica. Apresentei projetos de lei para criar políticas públicas de proteção a órfãos do feminicídio, implementar sistemas preditivos de violência e permitir que mulheres acessem antecedentes policiais de parceiros.
As gerações que nos antecederam enfrentaram desafios imensos para abrir caminhos. Há quase um século conquistamos o direito ao voto no Brasil, mas a jornada continua. Hoje, enfrentamos violência doméstica, feminicídio, assédio moral e barreiras no mercado de trabalho. Cada mulher reconhece essa luta. Possuímos capacidades equivalentes aos homens, porém somos constantemente desafiadas a comprovar nosso valor.
Mesmo diante desses desafios, mantenho esperança. Transformações começam quando cada uma de nós se dedica genuinamente a fazer diferença. Embora iniciativas estruturais sejam relevantes, são as ações individuais que realmente mudam realidades. Através de nossas escolhas diárias e da relação que estabelecemos com quem nos cerca, construímos gradualmente a sociedade que almejamos.
Recordo uma frase célebre que já ouvi: “Quando uma mulher entra para a política, muda a mulher. Quando muitas entram, muda a política.” Nossa trajetória, conhecimento acumulado e competência nos qualificam para impactar positivamente nossas comunidades, organizações, estados e nação. Esse compromisso é inegociável para nós.

(Delegada Nadine Anflor, primeira deputada estadual do PSD-RS)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!