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Notícias Mulheres falam da luta para engravidar

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Dados usados são de óbitos pela doença registrados em 2020 e 2021. (Foto: EBC)

A dificuldade para engravidar é bem real na vida de várias mulheres, em especial acima dos 35 anos. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 10% das mulheres terão problemas de infertilidade. Esse número pode aumentar se forem considerados os casos de infertilidade masculina.

Há mulheres que vivem verdadeiras sagas para realizar o sonho de ser mãe. Após 15 estimulações ovarianas para a FIV (fertilização in vitro), a veterinária Betania Kossling Mazzini, 42 anos, finalmente engravidou. João nasceu em dezembro do ano passado, “saudável, bonzinho e rodeado de amor”.

Mazzini conta que sempre quis ser mãe, mas diz que acreditava que aconteceria naturalmente assim que começasse a tentar. “Pensamos primeiro na carreira e vamos postergando a gravidez. Eu queria ter um bebê com tudo planejado e estruturado.”

Mazzini tinha 37 anos quando ela e seu marido, o empresário André Santana, 41 anos, passaram “a deixar rolar”. Mas não rolava nunca. “Achei que seria fácil. Hoje vejo que esperar não é nada bom. Os óvulos envelhecem e a qualidade deles piora muito a cada ano.”

Negativo após negativo, o casal decidiu consultar um médico. “Fiz exames e estava tudo certo. Mas descobrimos que meu marido tinha baixo número de espermatozoides e, posteriormente, varicocele [que dificulta a passagem de espermatozoides]”, diz Mazzini. “Ficamos chateados, chorei muito. Meu mundo desabou. Isso é uma ferida aberta no coração que não cicatriza. Você segue sua rotina, mas tem essa tristeza na alma”, completa.

Protagonista de musicais como “O Fantasma da Ópera”, “Hair” e “A Bela e a Fera”, a atriz Kiara Sasso, 41 anos, também lutou por anos até finalmente engravidar de Luna, que nasceu em novembro de 2019. Ela conta que recusou a ajuda da mãe, que chegou a oferecer ajuda financeira para o congelamento de seus óvulos.

“Achei desnecessário. Engravidar naturalmente é mais poético do que um bebê de laboratório”, conta. “Aí casei com o Lázaro [Menezes] e logo começamos a tentar. Fizemos até inseminação artificial. Mas, após quatro anos, não rolou. Até que decidimos partir para a FIV. É preciso ter confiança no médico e estrutura emocional, porque é um longo e delicado processo.”

Kiara Sasso passou pelo mesmo drama de mulheres que chegam aos 40 anos: poucos óvulos e de qualidade reduzida. “Eu me arrependo de não ter aceitado a oferta da minha mãe e congelado meus óvulos.” A atriz diz ainda que tem um sonho. “Quero ter a experiência de ver a Luna virar para seu irmão e dizer: ‘a mamãe está chata pra caramba hoje’”, diz ela, que é filha única.

Relógio biológico não para

É comum as mulheres buscarem ajuda perto dos 40 anos, após várias tentativas de engravidar falharem, de acordo com Barbara Andrade, ginecologista e obstetra da Clínica Nova Mulher. “O mundo ficou mais moderno, mas o relógio biológico é o mesmo de sempre. É uma corrida contra o tempo.”

“É preciso repensar essa cultura [de postergar a maternidade] e fazer uma investigação da fertilidade bem antes, porque muitas mulheres só caem na real quando tentam e não conseguem. Após os 35 anos, o ideal é tentar por até seis meses [antes de procurar ajuda profissional]”, diz Andrade.

A médica lembra que os tratamentos de fertilização são uma opção cara e, nem sempre, garantia de sucesso. “A biologia não para. Após os 40 anos, praticamente despenca. Além disso, a chance de o embrião ter problemas cromossômicos é bem maior. Por isso que, mesmo que se opte pelo tratamento, é importante buscar ajuda o mais jovem possível.”

A veterinária Renata Martorelli, 35 anos, está em busca da gravidez e tem feito uma série de exames. “As pessoas dizem: ‘Desencana, que vem’, mas isso é terrível, uma pressão psicológica a mais, quando tudo não passa de um problema físico.”

Ela engravidou naturalmente, mas o bebê ficou fora do útero, preso a uma das trompas. “A gravidez era incompatível com a vida. Perdi o bebê e uma trompa.” Foi quando ela decidiu partir para a FIV.

“Tomei tanto hormônio, que meu humor alternava e meu marido queria me jogar pela janela. [risos]. Um casal que passa pela FIV, ou separa ou fica junto de vez.” Ela conta que conseguiu um embrião. “Fiquei grávida, mas perdi porque tinha alteração cromossômica.” Martorelli diz que as sessões de terapia têm ajudado. “São fundamentais.”

Após cinco tentativas de FIV, e cirurgias por causa de uma endometriose, a funcionária pública Renata Amadio, 42 anos, desistiu da maternidade. “Comecei a tentar, mas tinha muitas dores e precisava tomar pílula anticoncepcional para amenizar. Aos 39 anos, comecei nesse difícil mundo da FIV. Consegui um óvulo, que fertilizou. Mas a gravidez foi interrompida. Decidi acabar com esse sofrimento.”

O SUS (Sistema Único de Saúde) oferece tratamento, mas, somente para mulheres de até 38 anos e apenas duas tentativas.

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