Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

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Cultura Museu Julio de Castilhos começa restauro das botas do gigante

Os calçados de número 56 serão restaurados depois de permanecerem mais de 50 anos em exposição.

Foto: Ascom/Sedac
Os calçados de número 56 serão restaurados depois de permanecerem mais de 50 anos em exposição. (Foto: Ascom/Sedac)

Uma das peças mais populares do acervo do MJC (Museu Julio de Castilhos), as botas do gigante, foram retiradas da vitrine a fim de passar por um processo de conservação. Elas estavam em exposição permanente havia mais de cinco décadas. Atualmente, se encontravam no ambiente chamado Gabinete de Curiosidades. Por permanecerem tanto tempo em exibição pública, os calçados feitos em couro se degradaram, resultado natural do contato com luz e poeira. Mesmo durante o restauro o público poderá ver as botas. O tratamento ocorrerá dentro da Reserva Técnica 2 do museu, que tem uma parede de vidro, possibilitando que os visitantes enxerguem o ambiente e o trabalho realizado.

“A ideia é que as botas retornem em um contexto narrativo em que ela seja exposta para falar sobre a diversidade, não se tratando mais do exótico”, adianta a diretora do museu, a museóloga Doris Couto. A futura exibição, contudo, deverá ser temporária, já que a peça não aguentaria mais um longo período de exposição ao ambiente.

As botas pertenceram a Francisco Ângelo Guerreiro, um homem de 2,17 metros de altura diagnosticado com gigantismo acromegálico. Os pés de Guerreiro, que nasceu em Cruz Alta em 1900, mediam 38 centímetros de comprimento, e o tamanho do solado de suas botas equivale ao número 56. Ele chegou a trabalhar como atração de circo. No entanto, a sua condição era cheia de fragilidades. Por causa do gigantismo, sentia-se fraco, sofria com falta de ar, enxergava pouco e tinha muitas tonturas. Guerreiro morreu no Rio de Janeiro, em 1926.

Com a retirada das botas, o Gabinete de Curiosidades do MJC recebe os Signos da República. A mostra é composta por peças que foram emprestadas pelo museu para a exposição A República e o Supremo, organizada em novembro, em Brasília, pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para comemoração dos 130 da Proclamação da República. Entre as peças, estão o modelo da primeira bandeira republicana e a sela de montaria do marechal Deodoro da Fonseca.

A exposição converge com as práticas museológicas, que coloca em isolamento peças que retornam ao museu depois de empréstimos, para evitar a contaminação do acervo. Elas estão expostas em uma sala fechada e são vistas através de vidro. A exposição do Gabinete de Curiosidades permanece até março de 2020, permitindo que os visitantes tenham contato com parte importante do acervo em termos da história do Brasil.

Serviço

Museu Julio de Castilhos
Endereço: rua Duque de Caxias, 1.205, Centro Histórico, Porto Alegre
Visitação: de terças a sábados, das 10h às 17h

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