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Saúde Mutações já detectadas não alteram eficácia de vacinas contra o coronavírus

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Há meses, especialistas tentam identificar essas alterações e analisá-las, a fundo, com o objetivo de verificar o perigo que elas representariam

Foto: Getty Images
Em 24 horas, foram registrados 67,75 mil novos casos. (Foto: Getty Images)

O desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 traz esperança após a morte de milhões de pessoas pelo mundo. No entanto, há um fator que coloca pressão sobre esses imunizantes e por quanto tempo eles devem funcionar: as mutações do vírus.

Há meses, especialistas tentam identificar essas alterações e analisá-las, a fundo, com o objetivo de verificar o perigo que elas representariam. Uma delas, em especial, apresentou mudanças na parte que faz o vírus se ligar às células humanas – a chamada proteína “espiga”.

Recentemente, uma nova cepa do coronavírus foi identificada no Reino Unido, que seria responsável por mais de mil infecções e poderia estar relacionada a um aumento no número de casos no país. O ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, afirmou que a nova versão do vírus “pode estar associada à disseminação mais rápida no sudeste da Inglaterra”. No entanto, parece pouco provável que ela afete a eficácia das vacinas.

Como acontecem as mutações?

Essas mutações incluem mudanças na proteína que o novo coronavírus usa para infectar células humanas (“espiga”), informou um grupo de cientistas que rastreia a genética do vírus. Eles alertaram, no entanto, que ainda não está claro se essas alterações o tornam mais infeccioso.

“Esforços estão sendo feitos para confirmar se alguma destas mutações está contribuindo ou não para uma transmissão maior”, disseram os cientistas do Consórcio de Genômica de Covid-19 do Reino Unido (COG-UK) em um comunicado.

Os vírus são as estruturas mais simples conhecidas no nosso planeta: são basicamente material genético envolvido por uma cápsula proteica. Essa simplicidade faz com que ele seja altamente mutável.

Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica. “Toda vez que os vírus se copiam, eles podem errar uma parte e criar uma microvariante. É como se eles cortassem o cabelo, fizessem a barba, passassem batom. É diferente num detalhe específico”, compara, acrescentando que a maior parte das variações não muda drasticamente a estrutura deles de maneira que comprometa a imunidade ou a vacinação. Não foi comprovado, até o momento, que essa variante seja mais grave ou que tenha um potencial de infecção diferente.

“Não é correto afirmar que essa variação está associada à segunda onda de infecções na Europa. Já vimos outras mutações, como a dos visons na Dinamarca, um cluster em Cingapura, uma outra variante que circulou meses atrás na Europa — nenhuma delas foi relacionada a um aumento nos casos. Para achar que variante nova é responsável pela segunda onda, tem que pensar que ela tem um potencial de infecção diferente”, explicou Kfouri.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), “todos os vírus, incluindo o da Covid-19, mudam com o tempo”. Para entender por completo o impacto de mutações específicas, são necessários estudos laboratoriais avançados”, diz a agência no site oficial.

No começo de novembro, a Dinamarca anunciou que eliminaria toda a população de visons depois de descobrir evidências de que a Covid-19 havia sofrido mutação no animal, após ser transmitida por humanos.

A nova variante também se espalhou para os humanos, com centenas de infecções confirmadas. Semanas depois, as autoridades de saúde dinamarquesas disseram que a mutação do novo coronavírus encontrada nos visons estava praticamente extinta e que nenhum outro caso foi confirmado. “As cepas do coronavírus que infectam visons, que são subsequentemente transmitidas aos humanos, podem ter adquirido combinações únicas de mutações”, afirmou a OMS.

Mutações deixam o vírus mais perigoso?

É possível que sim, mas nenhuma das variações do novo coronavírus detectadas até agora são mais velozes ou perigosas. O COG-UK afirmou que as mutações desse vírus estão se acumulando em um ritmo de cerca de uma ou duas por mês em todo o mundo.

No entanto, a maioria delas não teve efeito aparente no vírus, e é provável que apenas uma minoria cause alterações significativas sobre ele. Em meados de novembro, pesquisadores anunciaram que encontraram mais evidências de que uma versão mutante do novo coronavírus estaria se espalhando pelo mundo e seria mais fácil de ser transmitida, mas não parecia mais perigosa.

Essa nova cepa – diferentemente da mencionada anteriormente – tem a mesma forma física da original, sendo igualmente vulnerável à resposta imunológica do corpo, seja natural ou induzida por vacina.

Semanas antes, 12 países europeus observaram a presença da variante do vírus. A suspeita era a de que centenas delas estariam circulando pelo continente. Até novembro, ao menos oito linhagens da Covid-19 estavam em circulação no Brasil, de acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

E a vacina?

Nenhuma das mutações detectadas até o momento altera o vírus que provoca a Covid-19 de forma que comprometa a eficácia da vacina, explicou Kfouri, da SBIm. “Não há demonstração até o momento que essas mutações tenham relação com mais gravidade, transmissão mais rápida ou aspecto diferente que a vacina não cubra”, afirmou.

“Hoje, com a facilidade para sequenciar genomicamente os vírus, conseguimos reconhecer as mínimas mutações que o vírus sofre”, afirmou. “Isso traz duas vantagens: a primeira é de rastreamento, conseguimos traçar por onde ele andou. A segunda, é que podemos identificar variações importantes, quando o vírus fica muito diferente e muda alguma característica, se está se tornando mais grave ou menos grave”.

Por isso, a vigilância das mutações virais, do novo coronavírus e todos os outros, é essencial, disse. Alexandre Naime Barbosa, infectologista e professor da Unesp (Universidade Estadual Paulista), reforçou essa necessidade.

“Apesar de a gente conseguir identificar mais mutações entre os vírus que circulam, ainda não há padrão que mostre claramente que o vírus está ficando mais transmissível ou que cause doença mais grave, nem o contrário, o que pode acontecer”, disse.

“De qualquer forma, a vigilância tem que ser feita, porque vários vírus se adaptam para escapar da resistência, de vacina, de medicação”. “Tudo isso para a Covid ainda não está claro e somente a vigilância biomolecular da consistência do vírus vai poder responder a essas questões, no futuro”, concluiu.

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