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Brasil Na propaganda eleitoral, a mulher de Bolsonaro tenta suavizar a imagem do candidato

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Michelle é vinte e sete anos mais nova que Jair – ele tem 63 anos e ela, 36 anos. (Foto: Reprodução/YouTube)

Discreta durante toda a campanha, Michelle Bolsonaro, mulher do presidenciável do PSL, apareceu na quinta-feira (25) na propaganda eleitoral na televisão, com a missão de adocicar a imagem do marido. Mãe da filha caçula de Jair Bolsonaro, de oito anos, Michelle o descreve como um homem que tem “um brilho no olhar diferenciado, um cara humano, que se preocupa com as pessoas”.

Apresentada como alguém ligada às causas das pessoas com deficiência, uma mulher “forte e sensível”, que “estará junto com Jair Bolsonaro trabalhando pelo Brasil”, Michelle diz no programa que o marido “é muito brincalhão, natural, dado, um ser humano maravilhoso”. Sua fala reforça a narrativa de que posturas preconceituosas do candidato, externadas reiteradamente em entrevistas e vídeos em seus quase 30 anos de vida pública, são apenas piadas, e não irão se refletir em decisões num eventual governo seu.

“Quem conhece e convive sabe que ele é assim. É o meu amor, né?”, ela continua, sorrindo, na propaganda. Até aqui, a mulher de Bolsonaro pouco aparecia ao lado dele nas agendas de rua. Foi uma forma de blindá-la do polarizado cenário eleitoral.

Evangélica praticante, Michelle tem ligação com a comunidade surda. No programa na TV, contou que aprendeu a Linguagem Brasileira de Sinais sozinha, por ter um tio surdo. Recentemente, Bolsonaro se encontrou com representantes de grupos de pessoas com deficiência, por seu intermédio. Ele assinou um compromisso de propor políticas públicas que melhorem a condição de vida dessa parcela da população caso seja eleito, o que também foi filmado e exibido.

Bolsonaro e Michelle têm uma diferença de idade de 27 anos. Os dois se conheceram na Câmara dos Deputados, em 2007. Natural do Distrito Federal, ela era uma jovem secretária e ele, um parlamentar com experiência. O deputado a levou para trabalhar em seu gabinete, mas um ano depois a exonerou, por conta da decisão do Supremo Tribunal Federal proibindo nepotismo.

Controle do acesso ao marido

Quer chegar a Jair Bolsonaro? Vai ter que passar por ela antes. O presidenciável do PSL podia até mandar lá fora, mas era sua esposa, Michelle, quem controlava o vaivém de políticos na casa deles, no condomínio Vivendas da Barra.

O presidente do PSL, Gustavo Bebianno, precisou ganhar a confiança dela para se aproximar —foi ele quem a levou de Juiz de Fora para o Rio, após o marido ser esfaqueado na cidade mineira.

A dias do atentado, Bolsonaro queria se preparar para uma entrevista no Jornal Nacional em casa, mas ela despachou a equipe para a casa de um dos filhos dele, Carlos, que mora no mesmo conjunto.

Depois do ataque, a dinâmica mudou, e o lar do casal virou o QG da campanha. Mas, por determinação da Michelle, a sala de visitas do candidato é a área de serviço da casa, uma parte externa coberta. Uma mesa de churrasqueira virou uma espécie de escritório de Bolsonaro.

Os domingos eram sagrados para Michelle, que pedia ao marido: nada de agenda nesse dia. E ele obedecia. Quebraria a regra de ouro no dia 9 de setembro, para um ato na praia de Copacabana, mas sofreu o ataque dois dias antes.

Desde então, sempre ao lado dela, ele deixou duas vezes, num domingo, o lar onde o casal cobriu uma parede com uma ilustração religiosa onde se lê “a cruz me liberta”: para votar e para gravar um vídeo de campanha na casa do empresário Paulo Marinho, suplente do senador eleito Flávio, primogênito de Bolsonaro. ​

“Michelle e Jair”, dizia o título de uma reportagem com os recém-casados na revista Festejar Noivas RJ.

“Tudo começou quando nos vimos pela primeira vez no gabinete do Jair”, relatou a noiva. “Deste relacionamento brotou um sentimento que me fez voltar aos tempos de cadete da Academia Militar das Agulhas Negras”, descreveu o noivo.

A data da cerimônia nada teve de acaso: 21 de março de 2013, quando ele completava 58 anos, e a ela restava um dia para virar 31. Os arianos Jair Messias Bolsonaro e Michelle de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro se casaram sob a bênção do pastor Silas Malafaia, na Mansão Rosa. Uma festa sem funk, a pedido da noiva evangélica.

Malafaia celebrou a união heterossexual diante de cerca de 150 convidados, como lembra a biografia “Bolsonaro: O Homem Que Peitou O Exército e Desafia a Democracia”.

“O primeiro princípio é que Deus fez macho e fêmea”, disse o pastor. “O homem só se completa na mulher, e a mulher só se completa no homem. O resto é blá-blá-blá.”

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