Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 6 de maio de 2016
Falando para uma plateia de agricultores, operários e militantes petistas, a presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta sexta-feira (6) em Cabrobó, sertão de Pernambuco, que se manterá “brigando” caso seja afastada da Presidência na semana que vem.
“Eles queriam que eu renunciasse. Mas, se eu renunciar, iria para debaixo do tapete. Eu não vou para debaixo do tapete, eu vou ficar aqui brigando”, disse a petista, que fez uma visita a obras da transposição do rio São Francisco.
A presidenta afirmou ainda ser a “prova de uma injustiça” e disse que o Congresso está condenando uma pessoa inocente.
As declarações da presidenta foram dadas no dia em que a Comissão do Impeachment do Senado aprovou por 15 votos a 5 o relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB) que defende o prosseguimento do processo de afastamento da presidenta do cargo.
Após uma defesa enfática de programas sociais – como o Bolsa Família, Água para Todos e Minha Casa, Minha Vida –, Dilma afirmou que projetos voltados para os mais pobres serão reduzidos e extintos caso ela seja afastada da Presidência.
“Agora, há pessoas que não acham que a prioridade são os gastos sociais. Acham que é um desperdício o Bolsa Família para a quantidade de famílias que nós colocamos. Acham que só 5% dos mais pobres deve ter acesso ao Bolsa Família. E com isso, eu não concordo”, disse, em uma referência a declarações recentes de aliados do vice-presidente Michel Temer.
“UMA TAL PEDALADA”
A presidenta disse que inventaram uma “tal de pedalada fiscal” para afastá-la do cargo. Afirmou que esta é uma prática comum de governadores, prefeitos e ex-presidentes. Em seguida, citou decretos assinados pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Ao se referir às obras de transposição do rio São Francisco, Dilma afirmou que ficará “muito triste” caso não possa inaugurá-la: “Meu coração vai ficar partido porque é uma grande injustiça. Nós lutamos para fazer essa obra”.
A previsão é que a obra seja entregue em dezembro de 2016, quando o Senado já deverá ter votado o julgamento final do impeachment, caso o processo prossiga.
O prosseguimento do processo de impeachment deve ser votado no Senado na próxima quarta-feira (11). Caso seja aprovado pelo plenário por maioria simples, a presidenta Dilma Rousseff será afastada do cargo por 180 dias.
No evento em Cabrobó, a presidenta foi recebida por militantes do PT de Pernambuco, operários dos canteiros da transposição e moradores de comunidades rurais vizinhas. Alguns carregavam cartazes com frases como “Dilma, defensora dos pobres”.
Antes de a presidenta chegar, o mestre de cerimônias ensaiava com o público gritos de “Dilma, eu te amo” e “Dilma, guerreira do povo brasileiro”, afirmando que a manifestação seria transmitida ao vivo para todo o Brasil.
Acompanharam a presidenta na solenidade os governadores do Ceará, Camilo Santana (PT), e da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Anfitrião, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), não compareceu. (João Pedro Pitombo/Folhapress)
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