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Dennis Munhoz Nem Biden nem Trump. Será?

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Apesar da popularidade do Presidente Biden em queda, as eleições de meio de mandato não foram tão desastrosas como previstas. (Foto: Reprodução)

Apesar da popularidade do Presidente Biden em queda, quer seja pela inflação, quer seja por sua postura insegura e constantemente questionada pelo eleitor norte-americano, as eleições de meio de mandato que ocorreram no último dia 08 não foram tão desastrosas como previstas. Muitos analistas previam derrota acachapante para o partido democrata e para o atual Presidente, na câmara dos deputados e senado, todavia isto não ocorreu.

Em que pese a vitória republicana na câmara dos deputados, não ocorreu a “goleada” esperada pelo ex-presidente Donald Trump e maioria do partido republicano. Perder o controle desta casa é muito ruim para o Presidente Biden, que além de enfrentar a resistência dentro do próprio partido democrata, inflação, juros altos e economia em retração, terá outra parada indigesta: negociar com os republicanos, oposição ferrenha e com sede de poder. Outro aspecto muito relevante nesta derrota diz respeito às comissões da câmara. As investigações sobre a invasão do Capitólio em janeiro de 2021 podem ficar esquecidas e sem muita movimentação, enquanto instauração de comissão para investigar o suposto envolvimento do filho do Presidente, Hunter Biden, com a Rússia deve atrair o foco da maioria republicana que ditará o ritmo. Isto poderá provocar “sangramento” lento e eficaz na atual administração Biden, que gastará mais tempo se defendendo e tendo que negociar cada vez mais.

A maioria dos eleitores já manifestou a contrariedade a possível reeleição do atual Presidente, tornando improvável o partido democrata insistir nesta estratégia. Muitos candidatos democratas ao Senado e Câmara dos Deputados procuraram se afastar da imagem do Presidente e atual momento econômico para manter as probabilidades de eleição. Ele foi pouco requisitado para comícios e concentrações, muito diferente do ex-presidente Obama que foi mais acionado pelos candidatos.

Por outro lado, as eleições não foram o mar de rosas previsto pelo ex-presidente Donald Trump, que alardeava vitória esmagadora do partido republicano e os candidatos diretamente por ele apoiados. A vitória apertada na Câmara e a disputa extremamente acirrada no Senado, inclusive com o segundo turno no Estado da Georgia, tiraram o ex-presidente da zona de conforto e acenderam a luz amarela para sua equipe. Parece que os eleitores não transferiram tantos votos como o previsto para os candidatos diretamente apoiados por Donald Trump, principalmente aqueles que mantém o discurso de fraude nas eleições de 2020. Como o ex-presidente não é unanimidade dentro do partido republicano, os concorrentes internos ficaram mais fortes e animados.

Quem ganhou com estas eleições?

Ron DeSantis, Governador reeleito da Flórida com muita vantagem e aliado de Donald Trump.

Venceu com facilidade o ex-governador Charlie Crist, democrata e ligado ao Presidente Biden, mantendo suas fortes posições contra aborto, liberação de drogas, valores familiares e conservadorismo que agrada a boa parte do eleitorado norte-americano, inclusive aqueles que votaram em Trump apesar de não concordarem com algumas posturas do ex-presidente.

Muitos analistas acreditam que a vez de DeSantis seria em 2028, mais maduro e sem a sombra de Trump, todavia o momento político do ex-presidente não é muito favorável, quer seja pelas investigações em curso como dos documentos confidenciais encontrados em sua casa em Mar-a-Lago, envolvimento com a invasão do Capitólio em 06 de janeiro de 2021, supostas fraudes fiscais de suas empresas e até alegado assédio sexual na década de 80, podem facilitar em muito as pretensões até de leias escudeiros como o Governador Da Flórida.

A mensagem passada pelos eleitores indica o descontentamento com a administração democrata, desgaste da imagem do atual Presidente e vontade de mudanças sem muito envolvimento com o passado. Porta aberta para políticos não desgastados e mais voltados para resolução dos muitos problemas internos dos Estados Unidos. Logicamente que o ex-presidente Trump irá lutar com todas as armas para sair sem muitos danos das investigações e bloquear qualquer pretensão a candidatura presidencial dentro do partido republicano que não seja a dele própria. Ele possui capilaridade muito grande e boa fatia do eleitorado que o apoia sem restrições, mas cabe a seguinte indagação: Será isto o suficiente para vencer a disputa interna do partido e anular as fortes denúncias apoiadas pelo partido democrata? Apesar da boa administração do Governador DeSantis em importante Estado norte-americano, ele enfrenta rejeição em outros Estados devido à sua postura contundente na pandemia da COVID-19, onde foi contra o fechamento total e uso de máscaras, além de proibir escolas da Florida abordar assuntos sobre orientação sexual e identidade de gênero no ensino primário. Agradou a muitos, mas também criou vários problemas, inclusive com o Grupo Disney que alavanca o turismo que é a principal fonte de renda do Estado.

Tudo indica que a disputa mais acirrada ocorrerá internamente no partido republicano, mesmo porque até agora o partido democrata não parece ter alguém com força para encarar a disputa. Ainda temos dois anos pela frente e muita coisa pode mudar.

Dennis Munhoz – advogado, jornalista e correspondente internacional da Rede Mundial e da Rádio Pampa.

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