Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de junho de 2017
Quinto a votar no julgamento sobre a chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, o ministro Luiz Fux, do Tribunal Superior Eleitoral, acompanhou o relator ao considerar procedente a acusação de abuso de poder político e econômico na campanha de 2014. Fux fez uma defesa enfática do uso de informações da delação da Odebrecht na análise da ação. Segundo ele, uma “decisão justa e efetiva é aquela proferida levando em consideração a realidade”. Para ele, os fatos são “gravíssimos e insuportáveis”.
“Será que eu, como um magistrado que vou julgar uma causa com esse quadro de ilegalidades e infrações, vou me sentir confortável ao utilizar instrumentos processuais para não encarar a realidade? A resposta é absolutamente não. Eu não teria a paz necessária que deve ter o magistrado”, afirmou Fux. “Fatos novos vieram a lume informando que nessa campanha houve abuso de poder político, houve financiamento ilícito de campanha. Aí, no momento de proferir o voto, não vamos considerar tais fatos por uma premissa processual ortodoxa e ultrapassada?”, questionou o ministro, em clara provocação aos colegas que votaram por desconsiderar informações obtidas por meio das delações da Odebrecht.
“Não tenho como utilizar artifício formal para não enfrentar o mérito.” Ambiente contaminado O ministro, um dos três integrantes do Supremo Tribunal Federal que integram a corte eleitoral, foi o primeiro a citar o “ambiente político brasileiro” contaminado para justificar seu voto. “O ambiente político brasileiro está severamente contaminado. E a hora do resgate é agora”, disse.
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